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Será que meu namorado tem algum distúrbio emocional?

Suspeito que meu namorado seja neurótico obsessivo compulsivo. Li sobre a doença e ele se encaixa no perfil, mas tem outros sintomas além dos que encontrei. Parece ter dupla personalidade, é correto com as coisas, metódico, detalhista, calmo, controlado. Em alguns momentos, parece ser frio, calculista, mas é tão dócil em outros que nem parece ser a mesma pessoa. Busca a perfeição em tudo o que faz, nunca diz não para as pessoas, é humano com quem não conhece, mas chega a ser desumano com quem o ama. Vive em picos. Não sei o que fazer. Hoje ele parece estar melhorando com as minhas conversas, mas às vezes ainda entra em crise de isolamento. Já até o levei para terapia, mas ele é super resistente e desistiu. Eu não agüento mais viver assim, não tenho mais recursos e tenho medo que ele faça alguma besteira se eu o deixar, pois percebo que o sentido da vida dele sou eu.

G., 29 anos, assistente comercial, São Paulo, SP

Cara leitora, entendo a necessidade de compreender seu namorado. Porém, penso que um cuidado seja importante: você não é psicoterapeuta dele. Pela sua descrição, fica claro sua intenção de fazer um psicodiagnóstico dele, um processo bastante complexo mesmo para quem trabalha na área da psicologia. Será difícil, para você, compreendê-lo em termos de um diagnóstico técnico.

Penso que seja importante para você considerá-lo como é. Parece-me uma pessoa bastante fechada, com estrutura emocional complexa. É com ele que você deseja estar? Com ele, como ele é? Às vezes nos relacionamos com uma versão melhorada da pessoa com quem estamos com a esperança que ela mude com o tempo. Cuidado! Isso pode ou não acontecer. O que te atrai nele? Porque vocês estão juntos? O que te faz continuar nessa relação? Essas são perguntas importantes para sua reflexão. 

Você comentou que sente medo do que ele faria caso vocês terminassem, o que é uma preocupação bastante séria. Caso seja esse o principal motivo para vocês estarem juntos, melhor rever sua posição. Você pode ajudá-lo como amiga, se o amor estivar acabado. Caso resolva continuar com ele, sugiro que você procure cuidar dele na positividade. Ou seja, em vez de combater o que ele tem de ruim, tente incentivar o que ele tem de bom. Você diz que suas conversas com ele o têm ajudado, então talvez seja o caso de continuar com elas. Se a terapia não deu certo em uma primeira tentativa, talvez seja o caso de procurar psicoterapia de outras linhas ou outros profissionais. Às vezes, demoramos um pouco para encontrar um profissional com o qual temos afinidade. Mas, volto a lembrar: pense bem se o investimento vale a pena. Sua descrição é de um relacionamento pouco satisfatório, em que um cuida e outro é cuidado. Isso não é namoro...

Paulo Roberto Reimão Machado

Paulo Roberto Reimão Machado

Psicólogo da PUC-SP. É sócio-diretor do Círculo Integrado de Desenvolvimento Humano (CIDH), clínica que atua nas áreas de psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Contato: (11) 5575-6279
www.cidh.com.br


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