
Se você vive prestes a explodir no trabalho, sente-se exausta e desmotivada, atenção: pode ser síndrome de burnout, um tipo de estresse que atinge três em cada dez funcionários brasileiros
Quando conseguiu seu primeiro emprego em uma agência publicitária, a redatora carioca Carla Brum, 25 anos, resolveu dar o sangue. Passou a trabalhar até dezessete horas por dia e abandonou qualquer tipo de vida social. “O tempo livre que eu tinha era usado para fazer compras e cuidar do meu apartamento”, lembra. As obrigações pessoais, aliadas à alta competitividade no ambiente profissional, detonaram uma crise de estresse menos de um ano depois de Carla chegar à nova função. Aos poucos, ela foi perdendo a capacidade de concentração e começou a se irritar com tudo e com todos. Até travar completamente e ter dificuldade até mesmo para digitar um e-mail ou compreender as mensagens que recebia. “Eu lia o mesmo texto trinta vezes até entendê-lo.” Um dia, pressionada pela entrega de um projeto que não poderia atrasar, Carla teve um surto de taquicardia. Resultado: precisou ser internada em um hospital, onde ficou 48 horas em observação. Mais tarde veio o diagnóstico: a publicitária sofria de síndrome de burnout – doença moderna caracterizada por estresse agudo relacionado ao trabalho.
Só no Brasil, o problema já atingiu cerca de 3 milhões de mulheres. Trata-se de uma multidão de pessoas, quase o mesmo número de habitantes do Estado do Piauí. Acometidos por esse distúrbio de nome em inglês – cuja tradução aproximada é algo como “chama que se extingue” –, os trabalhadores demonstram sintomas de esgotamentos físico, mental e emocional extremos. Por exemplo: explodem com facilidade, sentem-se desmotivados, fracassados e injustiçados (consideram não ser reconhecidos como deveriam), alternam momentos de agressividade com outros de profunda tristeza, reclamam de tudo, têm dificuldades para se concentrar e vivem exaustos.
Sofrer de estresse é normal na vida moderna. Na verdade, ele pode ser descrito como uma resposta do corpo a uma situação desgastante e, vamos combinar, todo mundo enfrenta várias todos os dias. Durante um momento difícil, são liberadas substâncias que deixam o organismo em estado de alerta. Quando somos assaltados, por exemplo, há a liberação de cortisol e adrenalina, que desencadeiam, respectivamente, aumento da pressão arterial e aceleração da frequência cardíaca. Como então diferenciar o estresse “normal” daquele que caracteriza o burnout? A doença se estabelece quando o organismo não consegue mais se recuperar das situações de estresse. “Aí ele desenvolve problemas como insônia, queda de imunidade, aumento do colesterol...”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association (Isma) do Brasil. O corpo entra em pane, de forma a pedir socorro. Até chegar um ponto em que o burnout impede o sujeito de trabalhar, o que pode ocorrer tanto por causa de limitações físicas, quanto emocionais. A síndrome é o último alerta para obrigar que o estressado se cuide.
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