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O dilema do sexo oral

Sexo oral

Pesquisas mostram: as brasileiras adoram receber essa generosíssima forma de interação sexual. Mesmo assim, são cheias de encanações sobre o assunto

Por: Regina Terraz
Foto: Chiquinha!

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É curioso que se chame de sexo oral justamente a prática sexual em que menos se pode falar!!”, espantou-se o sempre sábio humorista Woody Allen. A frase vale por um compilado sobre o assunto, não só pela incrível observação anatômica, mas também pelo tabu que ronda a coisa toda.

De acordo com o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, megalevantamento coordenado pela psiquiatra Carmita Abdo, 66,8% dos homens e 63,4% das mulheres de nossa animada nação verde-amarela declaram que, sim, exercem essa generosa forma de interação sexual. Mas qualquer sexólogo é capaz de cravar: ainda há muuuitas reservas sobre o tema, principalmente quando é a mulher quem recebe os carinhos íntimos. “Nas gerações mais novas, o sexo oral tem cada vez menos caráter de coisa pervertida. Mesmo assim, ainda não estamos totalmente livres desse tabu”, afirma Carmita Abdo.

A estudante de rádio e TV Gabrielle Santos de Almeida, 19 anos, por exemplo, é uma espécie de E.T. entre suas amigas. Pratica e fala de sexo oral alegremente, sem culpa & sem pudores. “Sou considerada a sexóloga da turma porque incentivo minhas amigas a saberem mais sobre o corpo delas para terem mais prazer”, diz. As amigas de Gabrielle costumam comentar que, com seus namorados, nem sempre a coisa rola de forma natural. “Às vezes elas se sentem constrangidas em deixar que eles façam sexo oral nelas ou em tomar a iniciativa para fazer nos parceiros”, diz a estudante.

Constrangimento?!? Como assim? Segundo Mara Pusch, psicoterapeuta sexual da Unifesp, muitas mulheres ainda consideram o próprio órgão sexual como algo sujo, feio, meio estranho – um tipo de território proibido. E por isso têm vergonha de deixar que o homem invada essa espécie de ilha de Lost dos prazeres do corpo. 

Essa percepção equivocada da vagina pode gerar uma série de preocupações. Entre elas: a de que, na hora do sexo, o parceiro possa não gostar do formato da vulva, se incomode com o cheiro ou até que considere vulgar uma moçoila disposta a se entregar sem culpa a essa ótima forma de prazer. Há quem encane também com o quesito velocidade. Em geral, as mulheres demoram a se excitar. Por isso, algumas têm pudor de que o parceiro precise dedicar um bom tempo ao sexo oral. 

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