Na maior parte das vezes, não dá nada certo despejar sobre uma única pessoa os próprios pensamentos, a TPM, as tristezas e alegrias, enfim, tudo o que compõe o dia-a-dia. O receptor de tanta informação se sente carregando um peso. Os amigos estão aí, entre outras coisas, para que a gente tenha com quem dividir o que se passa na nossa vida. Com o tempo, a garota que vive em função do namorado vai se tornando desinteressante para ele não só porque se transforma em uma pessoa absorvente e dependente, mas também porque não tem boas histórias para contar – afinal, tudo o que ela vive é ao lado dele. É o caso, por exemplo, da menina que, todo fim de semana, em vez de ir ao cinema quando o namorado vai jogar futebol, prefere ficar na arquibancada da partida.
“Esse perfil carente é mais comum, principalmente, entre mulheres traumatizadas pela separação dos pais ou pela ausência deles”, diz a psicóloga Mara Pusch, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O pior é que muitas vezes elas se sentem insatisfeitas com o amor do outro, porque o que querem, na verdade, é suprir uma falta. E a solução não está ali.”
A estudante Fernanda Wisnheski, 19, admite para todo mundo que não consegue ficar solteira. Ela é do tipo que engata um namoro no outro. Desde o começo deste ano, quando começou uma nova história, Fernanda tem de lidar com mensagens de raiva ou mágoa deixadas no Orkut. Já foi taxada de sumida, interesseira, obsessiva, ingrata, turista... Isso porque abandonou de vez as baladas, deixou de freqüentar os churrascos da sua turma e, pior, não dá muita atenção para as amigas quando elas ligam para contar novidades. Em suma, seu círculo social restringiu-se ao namorado. “Não ligo quando reclamam de mim”, ela garante. “Quem não desaparece do mapa quando começa um relacionamento?! As verdadeiras amizades sempre estarão do meu lado.”
| Amor | |
| 1. Vocação para amar | 2.Sufocando o parceiro |
| 3.Carência absoluta | 4. É preciso equilíbrio |
| 5. Quando vira doença | |