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"Entre no ringue comigo", desafia a cantora Madonna, que comemora o seu 50º aniversário neste ano. O convite, enfim, não é um embate, mas um presente para os fãs - Hardy Candy é o 11º álbum ao longo dos 25 anos de carreira.
"A persona que adotei é de uma lutadora - uma boxeadora. É isso! Sinto que tem um senso de urgência no disco", revela. Na capa do novo registro, a rainha do pop ataca de boxeadora, bastante jovial, contrastando com o fundo da imagem de um pirulito rosa, branco e vermelho.
Além da produção visual, creditada ao fotógrado e amigo da cantora Steven Klein, o lançamento conta com a participação especial de Pharrell Williams, Timbaland, Nate "Danja" Hills e Justin Timberlake. Veja a seguir trechos da entrevista com Madonna, concedida para o jornalista Dan Simon, da International Feature Agency. O restante da entrevista foi publicada na edição de junho da revista GLOSS:
Na canção "Incredible", você canta que tudo é lindo, mas alguma coisa está faltando. Depois do grande sucesso do álbum "Confessions on a Dance Floor", você ainda sente que tudo é lindo, mas alguma coisa está faltando?
Essa não é uma canção sobre minha carreira. É uma canção sobre um relacionamento. Não é necessariamente sobre mim, mas é sobre a idéia que muitas vezes nós nos acostumamos com as pessoas e perdemos nosso senso de avaliação delas, e aí alguma coisa sai errado e tudo que você consegue pensar é em como gostaria que aquilo voltasse a ser como era, porque era incrível. De maneira que às vezes você quase tem que perder alguma coisa para poder apreciá-la, ou alguém para poder apreciá-lo e é disso que trata a canção.
Esse é o tema geral do álbum?
Não, é o tema dessa canção.
[img02]O último álbum era disco e centrado em dança. Qual foi o seu maior objetivo neste novo álbum?
Ainda me sinto da mesma maneira, mesmo na canção "Heartbeat". Eu digo que quando danço me sinto livre, por isso a idéia ainda está lá. Mas sinto que estou lidando com tópicos e temas mais profundos. Estou lidando com as lutas de um artista tentando superar seu ego, lidando com desapontamento, questões de confiança, decepção, gratidão, apenas tópicos mais profundos, mas o tema da dança entra e sai em todo o disco.
É assustador encerrar seus 26 anos de relacionamento com a Warner Brothers? É libertador?
Não é assustador. Eu nem mesmo digo que é uma libertação. É apenas o fim de meu contrato. A indústria fonográfica está mudando e também a maneira como eu faço música, e a maneira como a levo para as pessoas, e a maneira como nós a comercializamos e a lançamos também terá de mudar. Estou animada com meu novo acordo, porque é mais uma parceria e, depois de 25 anos, eu penso, "não, eu mereço ser uma sócia". E eu diria que Arthur (Fogel) e meu agente, Guy Oseary, tiveram muito a ver com isso.
Você fará uma turnê sob esse acordo ou ainda está viajando com esse álbum?
Trabalhei com Live Nation em minhas duas últimas turnês por isso acho que eles vão participar da próxima, mas depois desse disco, eles também participarão no que acontecer com o disco. O próximo depois desse.
[img03]Você mencionou a evolução da indústria. O que pensa do que a Radiohead fez deixando seus consumidores decidirem o preço do novo álbum?
Acho que foi uma idéia legal, mas não sei se funcionou bem. É como um novo mundo que está aí e acho que as pessoas precisam experimentar uma porção de coisas e cometer erros. Algumas coisas funcionarão e outras não, mas acho que é meio revolucionário e estamos nesse momento estranho - a escuridão antes do amanhecer antes de realmente sabermos o que vem em seguida.
Você está pronta para tentar?
Estou! Não sei se quero colocar minhas canções aí e perguntar para outras pessoas quanto elas valem, mas estou definitivamente pronta para tentar coisas novas.
Que expressão visual você escolheu para seus vídeos para esse disco?
Sobre o visual, só posso lhe dizer de onde veio a inspiração para a parte gráfica do disco. Basicamente, a persona que adotei é de uma lutadora - uma boxeadora. É isso! Sinto que tem um senso de urgência no disco. Há também a canção "Give It To Me". "Give me what you got, I am going to take on the world" (Dê-me o que você tem, eu vou levá-lo ao mundo), então a posição é meio como "entre no ringue comigo" e é também por isso que a canção chamada de "Hard Candy" [literalmente, Doce Duro] porque há suavidade na música, mas tem uma coisa dura nela também.
[img04]"Hard Candy" é o seu 11º álbum. Ainda tem alguma coisa que você queira realizar depois de todos esses CDs de platina e turnês e filmes de sucesso?
Bem, tenho a certeza de que não fui colocada na Terra só para fazer discos, por isso estou certa de que há muitas coisas que ainda quero realizar.
O que você gostaria de realizar?
Bem, gostaria de me tornar um ser humano melhor. Gostaria de aprender mais do que realmente sei. Gostaria de ser uma mãe melhor. Ainda tenho meus filhos para criar, o que é uma grande responsabilidade e ainda não terminei com isso. Gostaria de dirigir mais filmes e escrevê-los. Só fiz um, então, para mim, ainda é o começo dessa carreira. Quero fazer mais discos porque adoro música.
Por quanto tempo continuará fazendo música?
Não tenho a mínima idéia. (Risos)
[img05]Quando escuta uma canção como "Like a Virgin", o que você ouve? E quando vê o vídeo, quem é a Madonna jovem que você vê?
Quando escuto a canção "Like a Virgin", acho que é uma espécie de declaração sobre os sons da música que todos estavam fazendo no início dos anos 80. Tem uma espécie de simplicidade ali. Tem uma inocência naquilo e eu vejo o vídeo e também vejo uma garota que é inocente e realmente deslumbrada com a vida e o começo de sua carreira.