Na semana passada, o cantor Dudu Nobre deu uma coletiva para mostrar seu novo trabalho, o "Roda de Samba Ao Vivo", que virou CD e DVD e resgata o samba de partido alto, aquele esquecido muitas vezes pelo excesso de pagodes melosos na cena fonográfica.
A gravação aconteceu em janeiro no estúdio da Universal Music, no Rio de Janeiro. No ambiente, foi montado um bar com capacidade para 250 pessoas. Um show intimista com uma banda que mesclava músicos das antigas e gente que está começando agora, como Dudu Nobre sempre fez durante seus quase 10 anos de carreira.
[img01]Para quem não sabe, Dudu é filho de sambistas e aprendeu a tocar cavaquinho aos 6 anos (pasmem!). Quem convenceu os pais do futuro músico a aprender a tocar foi o sambista Nei Lopes, que nesse trabalho interpreta com Dudu a faixa "Tempo de Dondon" (no tempo que Dondon jogava no Andaraí), que ganhou novos versos. "A gente brinca que essa é a versão dondownload. Ficou mais moderna!", comentou o cantor.
Além dessa participação, todas as outras tiveram um gostinho especial. A promessa Roberta Sá canta "Quem é ela" (quem é ela que vai todo dia na capela). "Pode escrever aí: daqui uns 5, 10 anos, só vai se ouvir falar dessa menina", profetiza Dudu. Zeca Pagodinho interpreta "Velho Ditado" (Eu fico com um olho no peixe fritando, e fico com outro no gato do lado), que Dudu fez pelo telefone com o Luizinho SP. Martinho da Vila participa em "Chora Viola". "Foi emocionante. Quando eu era mais novo, ficava esperando o Martinho passar pelo ponto de ônibus perto do bar que ele ia só para ele me cumprimentar. Ele cumprimentava todo mundo, mas queria o aceno dele mesmo assim." A música de trabalho é a malandra "Tinha cachaça no meio", parceria de Dudu com Almir Guineto e Fred Camacho. "O engraçado é que eu faço música falando de cachaça, mas não bebo", riu o cantor.
[capa]Nota da repórter
"Adoro samba e um dos meus preferidos é 'Mini Saia", que Dudu gravou nesse disco. Assim que cheguei à coletiva, a versão começou a tocar e eu não acreditei. Finalmente, essa música, que é habitué das rodas de samba, seria gravada como deveria. Perguntei a ele o porquê da gravação dessa música e a resposta foi: 'Sempre gostei dela e quis homenageá-la com uma versão mais elaborada'. Eu adorei!"