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Ludov: "As pessoas viciam no nosso som"

Vanessa, do Ludov, conta tudo sobre carreira, o trabalho fora da banda, Disney e os fãs.


Por: Fabiana Faria

Vanessa Krongold é vocalista do Ludov, tem 30 anos e é uma fofa. Ela não come carne (mas encara ovo e leite), adora tudo o que faz com a banda e adoraria viver só de música. O pessoal da banda tinha uma banda antes que se chamava Maybees e Vanessa cantava em inglês. O Ludov estourou em 2004 com o clipe "Princesa", mas já tinha emplacado "Dois a Rodar" e, logo depois, veio "Kriptonita". A música de trabalho agora é "Urbana", do CD Disco Paralelo. Mas ela confessa que a música que mais gosta do CD é "Rubi".
GLOSS conversou com Vanessa em um bar de São Paulo durante duas horas e o resultado você confere aqui.

Desde quando você canta?
Desde sempre, de criança, de cantar no chuveiro. Eu queria ser a Annie Lenox. Eu não me espelhava nas Paquitas, sabe? Eu comecei a cantar no colégio. Eu era odiada pelos professores porque me juntava com as minhas amigas e ficava cantando durante a aula inteira. Aí, elas: "a Van canta bem, vamos arranjar um banda pra ela". E arranjaram mesmo! Tinha um anúncio no colégio para vocalista de uma banda gótica chamada The Tears of Blood, eu conversei com o líder e meti as caras. O som não tinha nada a ver comigo, mas foi ótimo. Aprendi a fazer show, a lidar com o público e a gente é amigo até hoje. Na faculdade, eu conheci os meninos e começou outra parte da história.

E você toca alguma coisa?
Então, eu toco mal e porcamente, na verdade. Eu me esforço, tento estudar e tal. Quando o Edu (baixista) saiu da banda e foi estudar design em Barcelona, tivemos que nos virar. Quando não dá para chamar um músico convidado, os meninos dividem o baixo, eu toco guitarra...

E o sucesso veio com a MTV, né? Como aconteceu tudo isso?
Então, fizemos o clipe "Dois a Rodar" e mandamos para a MTV, como qualquer outra banda. O irmão do Edu foi num show nosso e adorou "Princesa". Ele acabou fazendo aquela animação e entregou o clipe para os contatos deles lá na emissora. Os caras começaram a passra o clipe e os fãs começaram a pedir. Chegamos a entrar nos 10 mais pedidos e foi sensacional! A gente não tinha CD, nada... Em seguida, fechamos contrato com a Deck e lançamos "Kriptonita", que foi um sucesso tão grande quanto "Princesa".

Como foi a gravação da música para o High School Musical? (Ludov gravou "O que eu procurava", versão de "What I've been looking for")
Estávamos parando para fazer o disco novo e o mercado fonográfico estava meio frio. Tínhamos mandado nosso material para a Disney para divulgação e eles nos chamaram para fazer a versão. O filme não tinha nem chegado no Brasil ainda e nós não tínhamos noção da dimensão da coisa. Nós fomos para Buenos Aires, gravamos a música, o clipe, fizemos programas de TV, foi o máximo!

Vocês não ficaram com medo de "queimar o filme"? O High School é um filme bem infantil, né?
De jeito nenhum! A gente sempre quis fazer trilha sonora e até pensava em inventar uma história e fazer uma trilha em cima dela, mesmo sem filme. O trabalho da Disney foi um teaser para a gente. E, numa boa, não tem mal nenhum em o pessoal mais novo conhecer e gostar do nosso trabalho. Pelo menos, eles vão escutar música boa, né? Alguns pais vieram até nos agradecer porque os filhos tinham parado de ouvir Rebeldes (risos).

E rolou um cachê alto?
Cachê zero! A Disney convida, mas você só ganha divulgação mesmo. E não é pouco divulgação, né? A gente adorou fazer, topou pela diversão, pela experiência. Foi lindo.

E a fama? Mesmo não sendo uma rockstar, muita gente reconhece na rua, pede autógrafo... Assusta?
Nada! Tudo na nossa trajetória foi gradual. As pessoas param a gente numa boa, pedem para tirar foto... Não tem escândalo, fanatismo. Isso não incomoda em nada e é difícil ter alguém sem noção. A gente tenta contornar as pessoas chatas, é claro, mas elas são a minoria.

[img01]Por que vocês saíram da Deck Discos?
A Deck deu um apoio super legal pra gente no começo. Não precisávamos pensar em várias coisas que eles cuidavam de tudo. Só que eles contrataram zilhões de bandas e tinham que limpar o casting porque o investimento numa banda é muito maior do que era antigamente.

Acham melhor ficar sem gravadora?
Hoje em dia, não faz mais muito sentido pensar em ter uma gravadora. Escuta o nosso som quem quer, nós estamos fazendo o que gostamos e acreditamos no devagar e sempre...

O público aceita as mudanças de vocês?
Nem sempre as pessoas gostam de tudo o que a gente faz, mas gostam da gente, da história da banda, da linha de arte que a gente faz. O artista tem que saber se renovar. Lançar coisas iguais sempre é muito triste. O público acaba entrando na sua vibe e curte.

E o que o Disco Paralelo tem de diferentes do anterior?
O Exercício das Pequenas Coisas era mais adolescente. Esse é mais adulto, mais calmo. O bacana foi que a produção foi do Chico Neves, um dos melhores produtores do Brasil, na minha opinião. Ficamos super à vontade e gravamos durante nove dias seguidos, bem na boa. Entrávamos no estúdio às 2 da tarde e saíamos às 9 da noite para tomar cerveja. O negócio rendia e era tudo muito na paz. O cara é um gênio.

Algumas pessoas comentaram comigo e eu senti a mesma coisa quando ouvi o disco novo de vocês. Você acha que o Ludov tem semelhança com o som dos Los Hermanos?
A gente já conversou bastante com eles sobre isso porque a gente tem influências musicais muito parecidas. Quando a gente ainda era Maybees, ao arranjar as músicas, nós falávamos: vamos fazer a guitarra mais assim, não precisa ser tão pesada... No mesmo ano, eles estavam lançando O Bloco do Eu Sozinho. Começamos a ver nas entrevistas que eles falavam a mesma coisa que a gente. Eles também escutavam Cake, que era uma das nossas maiores influências. Acho que por isso é muito parecido, mas muita gente não associa logo de cara por causa do vocal.

Você acha que a música de vocês precisa ser compreendida?
Sim e a gente gosta disso. As pessoas dizem: "Nossa, escutei a primeira vez e não gostei do som. Na segunda, foi muito legal. Na terceira, fiquei viciada." Isso é muito mais legal do que a pessoa gostar de cara, escutar 10 vezes a mesma música e enjoar. Nada disso é planejado, claro, mas a gente fica feliz da vida com esse resultado.

A maioria das letras é composta pelo Mauro Motoki (guitarrista e tecladista) e pelo Habacuque Lima (guitarra e baixo). Você e o Chapolin (baterista) participam dos arranjos?
A gente tenta fazer tudo de maneira integrada. Ainda trabalho e o Mauro e o Habacuque se dedicam somente à banda. Então, eles acabam tendo mais tempo para trabalhar as músicas. Mas, quando entramos em estúdio, todo mundo opina nos arranjos, dá idéias... O Fábio, que não é da banda, mas é sempre convidado para tocar nos shows, participou da concepção do CD e o Felipe Machado, da banda Firebug, também. Foi a primeira vez que alguém de fora participou de tudo. Foi demais!

Então, você trabalha ainda? Isso atrapalha seu envolvimento com a banda?
Eu sou publicitária e trabalho com planejamento de internet. Sou capricorniana, trabalho pra caramba e corro o dia inteiro. Sempre sou a garota problema com o tempo na banda. Mas minha chefe é o máximo e meus horários ficam super flexíveis. Se eu tenho um show à noite, sou capaz de voltar pro escritório de madrugada para terminar um trabalho.

Mas e o pessoal do trabalho não vira tiete?
Então, eu tento separar bem. Lá, eu tenho responsabilidades muito grandes e tento deixar a Vanessa cantora de lado para não virar bagunça. Às vezes, nem aviso que vai ter show. Eles até ficam bravos comigo (risos).
 
E não tem possibilidade de você se dedicar só à banda?
Então, assim que a banda der lucro, eu paro. Por enquanto, não dá. A banda se paga, mas não paga a gente. A banda consome muito, você não tem idéia.

Clique aqui e assista a um vídeo de making of de um show da banda. Nesse vídeo, Vanessa confessa se é vaidosa ou não!


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