O que você faria se estivesse frente a frente com o ator Gael García Bernal? Improvisaria qualquer declaração em portunhol? Convidaria-o para aprovar a sua mais nova lingerie? Ou simularia um desmaio nos braços dele? O repórter de Gloss, aquele cuja testosterona é atestadamente 100% heterossexual, esteve a menos de um metro do galã mexicano durante 2h (leia-se: 120 minutos). E falou com ele em uma noite em que poucos tiveram a mesma sorte. Sabe por quê?
Entre a lista dos 800 convidados para a cerimônia de abertura da 31ª edição da Mostra São Paulo, realizada na noite de 18 de outubro, às 21h45, no auditório do Ibirapuera, estavam o diretor Babenco e parte do elenco do filme O Passado, composto pelas atrizes Ana Celentano, Analía Couceyro, Mimí Ardú, Moro Anghileri e pelo assediado Gael. Quando o ator mexicano, de 28 anos, apontou no estacionamento, uma colega jornalista gritou: "Olha o Gael, ele tá acompanhado por várias mulheres". Mesmo a chuva paulistana e a lentidão do trânsito não foram capazes de intimidar personalidades como Bárbara Paz, Guilherme Weber, José Serra, Gilberto Kassab, Serginho Groisman, Glória Kalil, Chris Couto, Bruna Lombardi, Marília Gabriela, Juliana Didone, John Hebert, Danilo Miranda, entre outros. Todos eles ficaram ofuscados diante do ator que fez sucesso em filmes como Diários de Motocicleta, Babel, Amores Brutos, Má Educação e O Crime do Padre Amaro.
Chegar perto do requisitado ator mexicano implicaria tomar chuva no estacionamento à espera do seu carro, ou mesmo dar cotoveladas na multidão de fotógrafos e jornalistas que se aglomeravam na recepção do evento. O primeiro contato com Gael foi aos 45 minutos do primeiro tempo - ele passou pelo enviado especial de Gloss e nem deu um "tchauzinho", driblando o marcador implacável (nesse caso, "yo"), que registrou o lance com a câmera do celular, infelizmente em baixa resolução.
UBA-UBA-UBA-EEEE
Poucos minutos depois de o casal Leon Cakoff e Renata de Almeida, criadores do mais antigo festival internacional de cinema no Brasil, ter inaugurado o ciclo dos 467 filmes em exibição na capital paulistana, Gael senta-se na fileira de trás, a 50 cm do repórter, mais precisamente na poltrona alinhada com a minha. E, graças à ironia do destino, foi assim que saiu o primeiro diálogo:
- Oi, Gael! Tudo bem?
[silêncio]
- O que está achando da cidade de São Paulo?
- Muito agradável...
[ele sorri gentilmente e desvia o olhar, puxando Babenco para um cochicho. Mas o cineasta está ocupado conversando com a atriz Bárbara Paz, que estréia nos próximos meses uma peça chamada A Quarta Irmã, com o grupo Tapa, sob a direção de Eduardo Tolentino]
- Bom, quanto tempo você vai ficar no Brasil?
- Alguns dias...
- Alguns dias? Quantos dias?
- Três...
Peeeeennn. Toca a campainha, anunciando o início da sessão que mostrará aos convidados o longa-metragem de Babenco. Gael, então, coloca o seu óculos de aro preto grosso (ele tem 1,5 de miopia) e se transforma em um garoto cult, reservado a um comentário mais baixo, ao qual o repórter não tem acesso.
Seguem 115 minutos de exibição de O Passado. Entre uma cena e outra, o astro mexicano dá gargalhadas e faz comentários baixinhos. Os olhos parecem grudar na tela. Ao final da sessão, quando as luzes se acendem e a platéia ovaciona o filme, mais uma tentativa de diálogo:
- Gael, está satisfeito com o produto final do seu trabalho?
- Sim, muito...
[tira o óculos como se quisesse esconde-lo dos flashs]
- Mais uma coisa, Gael: como é ser assediado por tantas mulheres?
[ri, olhando para a sua colega Analía Couceyro]
Ele se levanta e caminha em direção à saída de incêndio, acompanhado por assessores de imprensa. Enquanto o ator de 1,68 m de altura dava as costas para os jornalistas que o cercavam de perguntas, uma frase de Charles Chaplin me vem à mente: "O som aniquila a grande beleza do silêncio." Dizem que para um bom entendedor basta meia palavra. Está dado o recado. E anotado também.
E veja também!
Gael - ele conquista todas
Galeria de fotos do muso do momento.
Foto: Caroline Zilli