Em entrevista exclusiva ao site da GLOSS, Zeider, vocalista do Planta e Raiz fala sobre o CD novo Qual é a cara do ladrão e a evolução musical do grupo, que já está junto há dez anos.
O Planta já tinha uma posição política afirmada ou isso surgiu a partir desse CD?
A gente sempre trocou uma idéia com relação a isso, mas nada tão incisivo. Agora é que surgiu a intenção de abrir os nossos olhos e os da galera. O CD Esse é o remédio tinha umas músicas com essa pegada, mas muita coisa aconteceu no país de lá pra cá e a parada agora é outra. Além da música Qual é a cara do ladrão?, tem a Sr. presidente, que é até mais incisiva do que a música de trabalho.
O que mudou na banda desde o começo da carreira?
Tudo evolui. Nós estudamos, fizemos cursos, participamos de workshops, essas coisas. No começo da banda eu só cantava no chuveiro! De qualquer maneira, é uma forma de aprender, mas agora a gente está muito mais consciente do que podemos fazer com música, das harmonias, arranjos... Além disso, tem o lado da evolução pessoal, da vida. Um casa, tem filho, o outro compra casa, carro... Isso dá mais responsabilidade e a gente fica mais focado no trabalho.
Vocês fizeram três versões de grandes hits. Elas deram um "up" na carreira?
Então, gravamos Vamos fugir, do Gilberto Gil, A dois passos do paraíso, da Blitz e Te ver, do Skank. Elas deram uma baita ajuda e nós queríamos fazer versões porque achamos muito bacana escutar o nosso som em músicas que o pessoal nem imagina... Mas deu tão certo que a gente decidiu parar. Nosso trabalho é 97% autoral e não dá para ficar conhecido como banda de cover.
E a pirataria, vcs sofrem com isso?
Então, quando a gente chegou, as gravadoras já estavam falindo e já estava horrível pra todo mundo. Não teve uma fase áurea de vendas, sabe? A internet acaba se tornando meio de divulgação não remunerado e banda vai fazer shows para ganhar dinheiro.
Você gosta de internet?
Eu converso muito pelo MSN. Troco idéia com fãs e tem uma galera que eu nem conheço (risos). Estou até precisando criar um e-mail para conversar só com os meus brothers!
O que você mais curte no cenário musical atual?
Eu gosto muito de Ben Harper, O Rappa, Maria Rita, Mariana Aydar... De reggae eu
curto muito Damian Marley e Sisla...
Você acha que o reggae foi banalizado com esses hits românticos que apareceram?
Cada pessoa troca a sua idéia. Tem gente que faz música pensando em atingir um certo publico e outras fazem porque a música flui. A gente faz musica porque flui. Sempre vai ter os mais roots, os mais comerciais, os mais pops, os mais originais... Cada um curte o que quiser!
E onde o Planta e Raiz se encaixa nesses estilos?
Não sei, cara, a galera que tem que dizer essas coisas. Eu nunca fui rastafari, ortodoxo do reggae. O barato pra gente é fazer o reggae da paz, da diversão, até de Deus, mas com base na nossa vivência. Não precisa falar de rasta para tocar reggae.
Você falou em reggae de Deus. Vocês são da igreja Bola de Neve, né?
Somos, sim. Eu comecei a ir em 2000. A galera toda freqüenta. Somos do Jesus Christ vibration (risos).
Mas há a pretensão de fazer um disco gospel? Tem uma música nesse disco que fala sobre Deus, né?
Tem, sim. É a Deus está me ensinando. Na verdade, todas são meio espirituais... Mas como a gente atinge a vários públicos e não somos uma banda gospel, não podemos gravar só "glória, glória, aleluia", apesar de eu ser do "glória, glória, aleluia". O nosso barato é estar junto de todo mundo.
ZEIDER FALA SOBRE A MÚSICA QUE FEZ PARA A SUA FILHINHA EM VÍDEO EXCLUSIVO. CLIQUE AQUI E ASSISTA!