Erika - Em sua carreira, o que é fruto do trabalho e o que é sorte?
Erika - Depois de tantos anos de carreira você treme na base?
Malu - Sempre duvido do meu talento. A experiência pode ser uma armadilha. Ao mesmo tempo em que você ganha técnica, pode cair nos vícios, nas acomodações. No fundo, sempre corremos riscos. A escritora Maria Clara Machado falava que o fracasso dá caráter. Concordo. A frustração é infinitamente pior que o fracasso.
Erika - Qual a sua relação com a religião?
Malu - Isso é muito complexo! Minha família é católica, mas desde pequena não consigo imaginar a morte como passagem para outra coisa. Já estive perto da morte inúmeras vezes [em 1992, Malu foi operada por causa de um tumor no fígado e em 2005, para a retirada de um cisto intracraniano]. Em todas eu até gostaria de sentir o conforto que tanta gente encontra na religião. Mas sinto que as pessoas que se dizem descrentes são mais discriminadas até do que os gays, do que as pessoas de outra raça... E toda religião tem dogmas, mas gosto de discutir! Então acredito em Deus, mas não sou religiosa.
Erika - Se não trabalhasse como atriz com o que trabalharia?
Malu - Gostaria de trabalhar em tantas coisas que ser atriz resolveu o meu problema. Para mim, que já passei por hospitais, os deuses são as enfermeiras, os médicos. Esses caras que vão lá e abrem nossas cabeças, salvam a gente. Mas tenho planos de dirigir filme de ficção. Tenho de fazer, para não ficar frustrada. Nem que seja filme ruim.
Erika - Comédia ou drama?
Malu - Comédia sempre, sempre. Primeiro porque rir é o melhor remédio, segundo porque é mais difícil fazer comédia e, citando o Oswald de Andrade, porque a alegria é a prova dos nove.
Erika - O que realmente te interessa?
Malu - Minha família, meus filhos e o Tony. Eles são o foco da minha atenção, inclusive tomando a minha frente. O que mais me interessa é o amor e a arte. Adoro juntar os dois, como ir ao cinema com meu marido, ouvir minha enteada contar dos cineastas de vanguarda. E, você, o que realmente te interessa?
EriKa - Sou completamente interessada por pessoas.
Malu - O que faz valer a pena você se expor na sua profissão? No começo eu te perguntava se você estava nervosa com as cenas de nudez e você falava que não, você estava inteira...
Erika - Da exposição do ator eu gosto. Quando estou no personagem, não é um peso. Mas a exposição fora disso é o preço para fazer o que eu gosto. Essa coisa de paparazzi me faz pensar duas vezes antes de querer continuar sendo atriz. ?
Malu - Escolha: natureza ou arte?
Erika - Eu escolho a arte.
Malu - Você acha que veio para a vida a passeio ou a trabalho?
Erika - Eu poderia dizer que meu trabalho é minha diversão. Mas vim a trabalho porque tenho necessidade de produzir. Se eu ficar muito tempo de férias não dou muito certo, não.
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Foto: André Wanderley