Gisele Bündchen tem 27 anos, R$ 300 milhões e nenhum arrependimento. A modelo mais bem paga do mundo segundo o ranking da revista Forbes não comete erros e sim "experiências". "Não me arrependo de nada do que fiz porque procuro aprender com tudo", explica ela. Parece papo de auto-ajuda? E é. Além de ter um pai escritor do gênero (o consultor de empresas Valdir Bündchen), Gisele considera o filósofo indiano Osho um de seus autores preferidos. E costuma grifar as mensagens positivas queencontra nos livros, aos quais recorre com freqüência. "Eles são a minha terapia", diz. Tem mais. Praticante de yoga e meditação, a bela a cada seis meses cala a boca. Por quatro ou cinco dias, fica em silêncio absoluto, para conhecer-se. "É nessas ocasiões em que entro mais em contato comigo mesma. A voz polui os pensamentos."
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O gosto pelas férias espirituais é genético. Duas vezes por ano, os Bündchen - Gisele, os pais, as cinco irmãs, os cunhados e candidatos ao "cargo" - participam de retiros em conjunto. "Nos hospedamos em algum hotel, bem longe de tudo, e gastamos o tempo refletindo sozinhos ou trocando idéias", relata Valdir Bündchen.
(Parênteses para a curiosidade inevitável: Será que Leonardo DiCaprio alguma vez compareceu a um desses encontros?! "Não falamos sobre a vida pessoal da família", limita-se a responder, simpático e zeloso, o seu Valdir.)
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Autor de Enigma da Mudança e Como Construir a Si Mesmo (ambos da editora AGE), o pai de Gisele trabalha ensinando pessoas a se encontrar na carreira e, claro, ajudou a filha a se tornar übermodel. O termo (do alemão über = sobre, mais a palavra inglesa model = modelo) foi criado por uma revista britânica para definir a brasileira como a número um do planeta.
"Quando uma agência se interessou pela Gisele, ela tinha apenas 13 anos", conta Valdir. "Me reuni com o pessoal de lá para saber o que o mercado esperava dela e a partir daí nós dois fizemos um diagnóstico de suas qualidades e áreas de melhoria. Depois, montamos um planejamento estratégico, com metas a cumprir."
Mônica Monteiro, que foi empresária da top por 12 anos, acompanhou o início da carreira e diz que nunca viu ninguém tão positiva. "Foram oito meses de nãos até chegar o primeiro sim. E ela nunca perdeu o bom humor e a crença em si mesma."
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As cinco irmãs da modelo também passaram pela experiência de pesquisar-se com a ajuda do pai. "Cada pessoa tem o seu talento", diz Patrícia, a gêmea de Gisele, cinco minutos mais nova e sete centímetros mais baixa. O de Patrícia é ser relações públicas - exercido justamente nos cuidados com a agenda da irmã famosa, de quem é assessora e amiga inseparável.
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Superligada na família, Gisele tem tatuada no pulso uma estrela não porque ela própria seja uma, mas sim porque o desenho a faz lembrar-se do céu da cidade em que nasceu. Horizontina, onde ainda moram Valdir e dona Vera, a mãe, é lugar de muitas estrelas (reais), ao contrário da iluminada Nova York, onde a modelo vive. Gisele viaja para ver os pais com mais freqüência do que eles a visitam. "Nossos hábitos de vida não mudaram desde que a Gise se tornou uma celebridade", conta Valdir. O dinheiro da milionária Gisele é dela e apenas dela. "É claro que ela socorre as irmãs em casos de necessidade. E adora dar presentes. Mas temos como lema que a melhor maneira de ajudar alguém é não fazendo pela pessoa o que ela pode fazer por si mesma." Quer mais auto-ajuda do que isso?
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O que conta o pai
Valdir Reinoldo Bündchen é o pai da modelo mais bela da atualidade. Em depoimento à GLOSS, ele conta como foi o começo de carreira de Gisele Bündchen e a dificuldade em "entregar" a sua filha de apenas 13 anos para um mercado tão devorador como o da moda.
"Gisele era uma menina de apenas 13 anos e foi vista por um profissional de moda que achava que ela tinha potencial. Para nós era algo totalmente novo: nunca pensamos em ter uma filha modelo, não tínhamos como avaliar a veracidade do que foi oferecido e, mesmo que isso fosse confirmado, seria muito complicado entregar a nossa filha tão nova, que ainda precisava estudar, nas mãos de pessoas desconhecidas.
Em contrapartida, não podíamos roubar o sonho dela, que, depois de estimulado, começava a crescer na cabecinha dela. Isso exigiu da família uma atitude de acompanhar tudo, para que ela não se perdesse no caminho.
Lembro como se fosse hoje da primeira reunião em São Paulo com o pessoal da agência. Eu perguntei sobre as características e aptidões necessárias para uma modelo. Tudo foi rigorosamente anotado e, a cada visita de monitoramento que fazíamos, procurávamos saber se tudo se confirmava e corria bem. Era tudo de que dispúnhamos para ajudar a primeira das nossas seis filhas, que tão precocemente teve que fazer a sua escolha profissional.
Gisele sempre foi muito determinada e tinha claro o que deveria fazer. Apenas para se sentir mais segura, ela buscava conforto e segurança na família. Este papel de porto seguro, base de apoio emocional, é fundamental para os filhos.
Sempre será desafiante para os pais e filhos escolher uma profissão e um caminho a seguir na vida. Por isso, é preciso conversar abertamente sobre a questão. Em momento algum indicamos às nossas filhas um caminho certo nem impusemos o que seria bom ou ruim para elas. Passamos valores e ensinamentos aprendidos ao longo da vida, somente. Parece que deu certo, né?!"