O começo de tudo
A astrologia surgiu com a necessidade humana de entender o comportamento do mundo que nos cerca, a começar pelo porquê de alguns ciclos da natureza.
Quando o homem começou a deixar de ser nômade e passou a praticar a agricultura, percebeu que o mundo realmente se comporta de acordo com o que acontece no céu, uma vez que a agricultura depende do clima para funcionar. Viram que algumas épocas do ano são mais frias e têm os dias mais curtos e que outras eram mais quentes e com maior tempo de luz solar. Essas descobertas são o que hoje conhecemos como inverno e verão. Perceberam também que o movimento das marés variava de acordo com a posição da lua e que algumas estrelas se moviam e outras não. Chamaram de estrelas errantes as que se moviam e as demais estrelas eram as fixas. Essas estrelas errantes eram o que conhecemos hoje por planetas.
Tendo entendido cada planeta como responsável por um conjunto de acontecimentos, passaram a tratar cada um deles como o "deus" de seus assuntos. Eram eles: Sol, Lua e os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Um estudo avançado
Ao longo de muitos anos, toda essa observação se tornou um estudo importante para administrar as dificuldades sazonais. Essa ferramenta consistia no cálculo de certas posições planetárias demonstradas num gráfico. A evolução desses estudos há mais de dois mil anos atrás nos trouxe um detalhamento riquíssimo sobre os astros e da sua relação com o homem - a astrologia.
A serviço do Rei
O bom conhecimento astrológico foi posto a prova a serviço de reis e nobres que podiam pagar caro por esses trabalhos. Os cálculos complexos, os estudos de cada planeta nos mapas e a relação entre os planetas eram vistos pelos reis, nobres e pessoas em geral como magia. Por isso mesmo, se o astrólogo errasse suas previsões e análises, ele era executado. O interesse desses nobres era aumentar seu poder e suas riquezas, por isso era fundamental saber se conseguiriam progresso em suas empreitadas. Isso garantiu uma sobrevivência do conhecimento e prática dos astrólogos que mais acertaram, garantindo uma seleção natural e cada vez mais rica e precisa do saber astrológico.
Graças a todo esse contexto, foram feitas várias compilações de antigos livros, sempre confrontados com algumas novas descobertas. Sobreviviam sempre as técnicas mais eficazes, pois na astrologia, o que não funciona deve ser descartado.
Magia ou tecnologia?
Isso também responde sua segunda pergunta, pois em nenhum momento foram atribuídas atividades espirituais ou de formação religiosa obrigatória para entender o funcionamento do céu - muito embora, na época, fosse comum atribuir ao astrólogo algum dom de magia ou até charlatanismo que persiste até hoje. A astrologia significa conhecimento de mecânica celeste, cálculos de trigonometria esférica e, por se tratar de uma observação do contexto ao redor de cada ser humano, é mais do que geocêntrica, é "humanocêntrica". É o homem querendo conhecer melhor seu mundo para saber como viver da maneira mais confortável.
Na antiguidade, eram atribuídas divindades e mitos à cada planeta. Havia festas, rituais e celebração de vários acontecimentos celestes cíclicos, como a festa do Deus Sol, comemorada dia 25 de dezembro, época do solstício de inverno do hemisfério norte, quando o sol entra em capricórnio. Era nessa época que aconteciam os dias com menos tempo de luz solar e as noites mais longas. Alguns estudiosos acreditam que a data de nascimento de Cristo foi estrategicamente colocada pela Igreja Católica no dia 25 de dezembro para encobrir a tão celebrada festa pagã.
É importante lembrar que, independentemente de religião ou da crença em deuses pagãos, o fato é que tais planetas continuam existindo e movendo-se no céu. Os estudos astrológicos são os agentes responsáveis pelos eventos que percebemos nas nossas vidas. Isso nada tem a ver com espiritualidade, magia ou clarividência. É pura evolução do estudo do céu ao longo de milênios.
Resumindo, a astrologia é um estudo matemático, astronômico e associativo, que evoluiu ao longo da história de acordo com as crescentes necessidades da humanidade em se adequar melhor ao mundo em que vive.