Para quem lhe escuta, querida amiga, é inevitável a perplexidade: se você o acha tão interessante, bonito, admirável, sempre conversa com ele, porque a inibição em experimentar outro nível de relação, ficar, namorar? Parece que você enfatiza muito a fragilidade de seu amigo quando diz que ele também tem necessidades especiais, nunca namorou ou beijou... Neste sentido, pode ser que sinta que afetivamente ele se encontra em um ponto da estrada já percorrido por você: o medo da rejeição, do preconceito, a postura de nem tentar para não se magoar com as dificuldades. É como se pensasse - "sei de que dor ele foge". Mas, mesmo que tudo desse errado, que você ficasse com ele e não sentisse estar verdadeiramente apaixonada, preferindo continuar sua amiga, e que por isto o visse sofrendo: quem é você para decidir por ele que ele deve ser protegido desta possível decepção? Pense em sua própria experiência! Teria sido melhor na sua vida se as pessoas nem tentassem se relacionar com você, supondo que seu defeito físico diminuiria sua força emocional para encarar os desencontros? Esta atitude paternalista não aumentaria as diferenças entre você e as outras pessoas? Converse com seu amigo sobre isto, se ele topa se arriscar, experimentar, se ele entende que você precisa ter liberdade para depois dizer, "sim, é gostoso", ou, "não, sinto que como amiga era melhor". Ele tem o direito de decidir também. Não fique pensando que tudo depende de você.