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  • Jonia Lacerda Felício
    Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São paulo (USP), chefe no serviço de psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das clínicas da FMUSP. Coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário São Camilo.
  • Estou solteira há 5 anos e não consigo me envolver. É normal?

    Estou solteira há 5 anos. Assumo que talvez seja por opção, pois nesse tempo não conheci ninguém com quem quisesse realmente ter um relacionamento sério. É muito difícil encontrar alguém por quem eu me apaixone. Quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto sozinha e feia. Meus amigos dizem que eu sou maluca, que mesmo que eu quisesse ser feia, não conseguiria. Mas eu me sinto mal com essa situação, fico constrangida quando as pessoas me perguntam sobre namorados. Não sei mais o que fazer. Gostaria de saber se há algo de muito errado nisso, se o problemas sou eu ou o mundo que mudou, se é normal...
    K., 23 anos, estudante, Rio de Janeiro, RJ
Querida Karina, do ponto de vista da psicologia psicanalítica, nossos destinos sempre implicam em uma opção, embora muitas vezes não nos damos conta do porque nos deixamos levar até aquele ponto na vida. O que escapa a você é a razão de você escolher virar a "solteirona feia": qual vantagem lhe traz em seguir este caminho? E aí, há tantas possibilidades... Vejamos alguns "porquês" de escolhas parecidas que  encontramos na clínica psicológica, pois você falou pouco de si e não há dados para saber qual é a sua história.

Às vezes, vemos uma pessoa que escolhe encarnar o viúvo eterno para se colocar na posição de uma estátua viva, que está aí para provar a si mesmo, aos outros e ao ex-parceiro que o abandono e decepção que provocou o fim do relacionamento foi mesmo muito maldoso e injusto. É uma escolha que acontece por ressentimento, como se a pessoa quisesse provar: "nada vai reparar o machucado que você me provocou!".

Outras vezes, encontramos pessoas que não investem nas relações amorosas, especialmente nas que poderiam se tornar mais sérias, por conta de um compromisso emocional que elas têm com seus pais, do tipo "não vou fazer uma vida afetiva própria porque devo ficar aqui cuidando do meu pai e da minha mãe". Ou então, "não vou tentar ser feliz com alguém porque isto seria injusto com minha mãe, que sofreu tanto com meu pai".

Nestas e em outras situações parecidas vemos a pessoa não seguir adiante por causa de compromissos e entraves emocionais que inibem o prazer que é amar e sentir-se desejada por alguém. Concluindo, Karina, a questão não é ser normal ou não, mas compreender porque acontece este impedimento nas trocas amorosas, não deixando que o orgulho, decepção e ressentimento com antigas mágoas, ou o medo de trair alianças infantis com os pais impeçam a plena posse do seu destino. Não deixe a situação estender-se por mais 5 anos! Procure um bom psicólogo, você merece...

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