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  • Jonia Lacerda Felício
    Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São paulo (USP), chefe no serviço de psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das clínicas da FMUSP. Coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário São Camilo.
  • A ex-namorada dele não me deixa em paz

    Estou passando um perrengue com a ex-namorada do meu atual namorado. Ela me liga todo santo dia, me fala que não quer mais me ver ou saber de mim com ele, que não posso mais ligar ou ficar com ele. Depois, ela me pede desculpas e me diz que ele gosta mesmo de mim, que ela tem ciúmes e fica com raiva porque não está mais com ele. Eu escuto, tento entender o lado dela, mas não dá mais para agüentar a situação. Já falei com meu namorado e ele já pediu pra ela parar com isso. O que posso fazer: ignorar, conversar com ela? Não sei. A situação está ficando insustentável. Já estou perdendo fé no nosso relacionamento de tanta abobrinha que escuto. Já estou perdendo a minha paz de espírito. Como posso resolver isso? É comum ex-namoradas desse jeito?
    Daniele, 22 anos, jornalista, Curitiba, PR
Primeiro, sobre se isto é comum: não é tão freqüente assim, mas a questão é que este comportamento é descontrolado, ou, usando um termo mais psiquiátrico, "transtornado". E que ele pode evoluir e não diminuir com o tempo se estiver associado a algum desequilíbrio emocional mais sério.

Alguns destes casos até chegam a um ponto em que os especialistas descrevem um comportamento de "assédio moral", algo de caráter criminal, pois traz danos sérios ao cotidiano, às relações sociais, profissionais e à imagem das vítimas. Neste momento, os advogados entram com queixas-crimes por difamação, ameaças, entre outras. 

Assustei? Bom, então terá servido para explicar que você não deve agir como terapeuta desta menina, tentando, por exemplo, tranqüilizá-la e fazer com que aceite a situação. O que vai fazer com que esta pessoa mude são recursos mais extensos, como as intervenções de profissionais de saúde e as próprias conseqüências que isto traz ao longo da vida.

Em relação a você, é importante que ela não consiga lhe acessar, que não haja tempo nem oportunidades para que você chegue a ouvir estes destemperos. E caso os limites sejam ainda mais afrontados, alguém, possivelmente seu namorado, deve deixar claro a ela e seus familiares que isto é ameaça e assédio, o que exige queixas formais junto à polícia, por exemplo.

Quem trabalha com comportamento, como os psicólogos, não vê agressão e destrutividade apenas quando os fatos finais mais graves se tornam claros. Ameaças e "chiliques" persistentes são sinais de que a pessoa não entendeu ainda as conseqüências sociais da falta de limite e consideração alheia. E, portanto, que ela deve saber disto: que quem vai sofrer mais com este descontrole é ela mesma.

Um abraço.

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