A gente esperava coisas diferentes
Cinthya Oliveira, 26 anos, estudante de História
Morou junto com o cinegrafista Guilherme Dutra, 30 anos, por quatro meses, depois de um ano e meio de namoro. Na época, ela tinha 25 anos.
Hoje eu vejo que a gente esperava coisas totalmente diferentes quando fomos morar juntos. Eu já me sentia madura o suficiente, já tinha morado sozinha antes. Eu lavo a minha própria roupa desde os 18 anos de idade. Mas o Guilherme, apesar de já ter morado um tempo fora de casa, não era tão independente assim. Queria aprender a cozinhar, mas desistiu depois da segunda vez em que preparou um macarrão, quando percebeu que teria de lavar os pratos.
Ele achava que morar com a namorada não era um casamento, mas a mesma coisa que morar com uma amiga. Ficava bravo por ter de me dar satisfação quando ia chegar mais tarde em casa, por exemplo. Ele não soube abrir mão da liberdade que se tem numa vida de solteiro. O que mais me incomodava era que eu sempre pensava primeiro no casal, e ele sempre nele próprio. Ele não queria ter filhos. Me disse que não saberia dividir a minha atenção e a da família dele com o próprio filho. Ele admite que é super egoísta. Terminou comigo quando eu estava vivendo uma grande depressão, eu tinha acabado de sair de um emprego de quatro anos. Nunca mais me ligou somente para saber como eu estava me sentindo. Ainda nos falamos de vez em quando, mas só para resolver questões práticas. O casamento acaba, mas as contas continuam chegando. Ele deixou tudo pra trás, todos os presentes que ganhamos. Nunca quis dividir os bens depois da separação, inclusive alguns móveis dele ainda estão aqui. (Ela ainda mora no mesmo apartamento que alugaram).
Acho que ele está esperando o momento certo pra conversarmos sobre isso. Apesar de não descartar completamente a idéia de morar junto novamente (mas somente por um curto período de tempo), eu sinceramente agora faço questão do papel passado. Dessa forma, acho que a pessoa pensa mais pra casar e mais pra se separar também. Talvez se a gente tivesse noivado, como a maior parte das pessoas fazem, ele teria pensado melhor. A gente decidiu morar junto de supetão. Eu pensava que era pra sempre, mas não fazia questão do papel. Só depois dessa experiência é que eu fui entender que não é uma questão de direitos, mas sim de comprometimento. Perguntas que antes não eram importantes para mim agora são: 'Quantos filhos vamos ter? Onde você pretende morar daqui a algum tempo?' O sonho dele era morar num condomínio fora da cidade, já eu gosto de bairros bem localizados. Ele só pensava na qualidade de vida dele, e eu pensava: 'Como vamos morar longe da cidade e ter filhos, como vai ser essa questão da escola deles... ' A mulher tem mesmo um timing biológico em relação a isso. Agora, eu continuo morando no mesmo apartamento e ele voltou para a casa dos pais. Ele voltou a ter a roupa lavada e eu continuo lavando a minha.
[img01]Idas e vindas com casamento no final
Samira Ávila (atriz, 28 anos) e Bruno Vorcaro (historiador, 30 anos), casados
Os dois se conheceram no colégio em 1994. Ela tinha 14 anos e ele 16. Eles ficaram algumas vezes, mas ela foi estudar na Alemanha. Eles se reencontraram no vestibular e namoraram por cinco anos. Eles foram juntos para a Europa, mas ele voltou antes e eles terminaram por causa da distância. Ele foi busca-la no aeroporto na volta da viagem e eles namoraram por mais dois anos, mas terminaram por estarem em ritmos diferentes de vida. Ficaram um ano totalmente separados e namoraram outras pessoas. Um dia, Bruno mandou um e-mail para Samira dizendo tudo o que sentia. Eles voltaram a namorar, foram morar juntos e se casaram. Tudo isso em seis meses! Este mês, completam 10 anos de relacionamento.
Palavra da Samira
Sabia que o Bruno era o amor da minha vida, mas achei que tivesse acabado de vez. Na mesma semana em que terminei um namoro, recebo um e-mail dele falando 'eu sinto isso e aquilo... e você?' A única pessoa com quem eu pensava em conversar nessa época era o Bruno. Ele me perguntou: 'Você tem alguma dúvida?', e eu respondi, 'Bruno, a única coisa que eu não tenho duvida nesse momento é de que eu quero ficar com você'.
Fomos morar juntos, mas nossa relação ainda não estava tão selada. O casamento trouxe um sentimento mais 'macro', você começa a pensar grande. Mantemos a individualidade, mas agora o 'eu' somos 'nós', passamos a ser uma família. Comecei a cuidar mais da casa, da nossa cachorra, pensar em ter um filho.
Como a gente já viveu muita coisa, eu já não tenho medo das tentações da vida. Eu não tenho mais insegurança. Eu gosto muito do símbolo da aliança e não acho careta. Hoje em dia, é muito revolucionário você assumir um casamento. Muita gente que mora junto se separa com muita facilidade. Acredito que o casamento é para sempre.
Minha dica para quem quer casar é: Mulheres, cuidado com os preparativos do casamento, não sejam débeis mentais! O mercado te transforma numa princesinha idiota que você não é. Quem vai celebrar o seu casamento é você e inclua o seu marido onde puder. Dois meses é tempo suficiente para preparar o casamento são dois meses, o resto vira teatro.
Palavra do Bruno
O homem precisa do casamento para cair a ficha de que você tem um relacionamento e deve zelar por ele. Agora, a Samira é a minha família, antes mesmo dos meus pais. Nós dois mudamos de nome. Ela colocou o meu sobrenome (o que é mais comum) e eu coloquei o sobrenome dela. Por que não?