Mulheres falam 25 mil palavras por dia. Homens falam 15 mil. Ou seja: os casais têm cerca de 40 mil vocábulos à sua disposição entre o momento em que acordam e o instante em que vão dormir - o que dá quase 1,6 mil palavras por hora. Ainda assim, não se entendem. Sim, porque se você nunca passou por situações em que teve certeza absoluta de que não fala a mesma língua que ele, saiba que está na contramão das evidências científicas.
O ESTUDO DO CÉREBRO E DO NARIZ
Pesquisadores de todo o mundo já usaram poderosos instrumentos de ressonância magnética para revirar os cérebros de ambos os sexos. No final, chegaram à mesma conclusão usada no título de um clássico da auto-ajuda que vendeu mais de quinze milhões
de exemplares desde que foi lançado, em 1992: Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus.
No livro que definiu homens como marcianos e mulheres como venusianas, o terapeuta John Gray fez um listão das principais diferenças entre os gêneros. Segundo ele, homens e mulheres usam as mesmas palavras, mas de maneiras diferentes. Eles levam tudo ao pé da letra. Elas exageram e generalizam.
No ano passado, Catherine Dulac, pesquisadora do Instituto Médico Howard Hughes, divulgou o resultado de suas pesquisas sobre o assunto. Ao que tudo indica, essas diferenças poderiam ser explicadas por um pequeno órgão chamado vemeronasal, localizado no nariz. Esse pequeno órgão apresenta um grande número de células receptoras de feromônios - odores primitivos responsáveis pelas reações que envolvem agressividade e sexo. Parece que a doutora provocou um curto-circuito no orgãozinho dos camundongos e as fêmeas começaram a se comportar como os machos.
Seja no nariz, ou no cérebro - onde a maioria dos pesquisadores acreditam estar as razões para a diferenças entre homens e mulheres - na vida prática essas questões estão longe de serem resolvidas.
ELES SÃO ASSIM...
>> Quando estão em crise, preferem o silêncio e a solidão
>> Precisam de "amor confiante"
>> Adoram sentir-se necessários
>> Usam mais o lado esquerdo do cérebro, o racional
E ELAS SÃO ASSADO...
>> Na hora do aperto, tagarelam para se acalmar
>> Precisam de "amor carinhoso"
>> Amam ser acalentadas
>> Usam mais o lado direito do cérebro, o da intuição
[img03] A HISTÓRIA DE ANDRÉIA E ALEXANDRE
Para a professora de inglês Andréia Marinho, 23 anos, os machos sofrem mesmo é de uma disfunção qualquer que os impossibilita de fazer ligações sensatas entre o que eles pensam e o modo como expressam seus pensamentos. Para o jornalista Alexandre Saldanha, de 26 anos, namorado de Andréia, o problema está nas fêmeas: há discrepância entre o que ele diz e modo como os ouvidos femininos processam a informação.
Eles namoram há quatro anos. Dia desses, ele disse: "Queria sentir de novo aquele frio na barriga do início do namoro... Seria legal se a gente pudesse se conhecer outra vez...". Andréia reagiu: "O quê??? Você está dizendo, assim na minha cara, que quer conhecer outra pessoa?". Duas horas depois, ele se explicou: "O que estou tentando dizer é que me apaixonaria por você mil vezes. E só por você". Essa situação boba, daquelas que todos os namorados costumam enfrentar, é a mais livre expressão do termo "sexos opostos".
Durante a maior parte do tempo do namoro, o casal se relacionava a distância: ele em Belo Horizonte, ela em São Paulo. A distância também causava ruídos na comunicação, que na maioria das vezes acontecia via internet. Toda vez que ele escrevia que estava cansado, Déia concluía: cansado de mim! Há alguns meses, Alexandre se mudou para São Paulo e eles estão morando juntos. Esperam que, com a proximidade, esses pequenos atritos se resolvam.
[img04] A HISTÓRIA DE POLÍMNIA E BRUNO
A arquiteta Polímnia Garro, de 28 anos, namora há cinco anos Bruno Dias, 36 anos. De vez em quando o bicho pega. No mês passado, ele ligou para ela radiante, para dizer que ia conseguir esperá-la para uma viagem para Nova York. Mas dias depois, ela ouviu o namorado falando ao telefone com um amigo e marcando a viagem para novembro. "Em novembro ainda não estou de férias. O que você está fazendo?", reagiu ela. Bruno, na verdade, tinha esquecido de perguntar a data em que ela estaria disponível.
PARA LER
[img01] Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus
Autor: John Gray
Editora Rocco
[img02] Afinal, o que pensam os homens?
Autor: Michael Gurian
Editora Alegro
Foto: Zeca Caldeira