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A guerra dos sexos

A guerra dos sexos

A dificuldade de comunicação entre homens e mulheres é um eterno problema


Por: Lieli Loures

No começo de agosto, Catherine Dulac, pesquisadora do Instituto Médico Howard Hughes, divulgou o surpreendente resultado de suas pesquisas sobre as diferenças entre machos e fêmeas. Ao que tudo indica, essas diferenças poderiam ser explicadas por um pequeno órgão chamado vemeronasal, localizado no nariz. Esse pequeno órgão apresenta um grande número de células receptoras de feromônios - odores primitivos responsáveis pelas reações que envolvem agressividade e sexo. Parece que a doutora provocou um curto-circuito no orgãozinho dos camundongos e as fêmeas começaram a se comportar como os machos.

A DIFICULDADE EM RESOLVER AS QUESTÕES
Para a professora de inglês Andréia Marinho, 23 anos, os machos sofrem mesmo é de uma disfunção qualquer que os impossibilita de fazer ligações sensatas entre o que eles pensam e o modo como expressam seus pensamentos. Para o jornalista Alexandre Saldanha, de 26 anos, namorado de Andréia, o problema está nas fêmeas: há discrepância entre o que ele diz e modo como os ouvidos femininos processam a informação.

Déia se lembra do último grande conflito. Seu namorado disse a seguinte frase: "queria sentir de novo aquele frio na barriga que só acontece no início de namoro, sabe? Seria bem legal se pudéssemos nos conhecer outra vez..." O casal está junto há quatros anos e Alexandre teve a certeza de que aquela era a mais romântica de todas as declarações de amor, mais até que o pedido de casamento feito dois meses atrás. Mas naquela hora, Déia se sentiu a pior das mortais: "O quê? Você está me dizendo, assim na minha cara, que quer conhecer outra pessoa?". Depois da declaração bombástica, Alexandre foi obrigado a se explicar. "O que estou tentando dizer é que me apaixonaria por você mais mil vezes, e SÓ por você".

Durante os quatro anos, o casal se relacionava a distância: ele em Belo Horizonte, ela em São Paulo. A distância também causava ruídos na comunicação, que na maioria das vezes acontecia via msn. Toda vez que ele escrevia que estava cansado, Déia concluía: cansado de mim! Há um mês, Arroz se mudou para São Paulo e eles estão morando juntos. Esperam que, com a proximidade, esses pequenos atritos se resolvam.

Seja no nariz, ou no cérebro - onde a maioria dos pesquisadores acreditam estar as razões para a diferenças entre homens e mulheres - na vida prática essas questões estão longe de serem resolvidas.


Fim Foto: Montagem: Mariel Meira


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