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Profissão: dona de casa

Terceiro grau completo. Domínio de línguas estrangeiras. Boa aparência. Espírito de liderança. Carreira pretendida: do lar

Por: Regina Terraz
Foto: Felipe Morozini

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Dona de casaVocê me ama? Vou passar camisas.” A frase parece ter saído da boca de uma dona de casa de antigamente, daquelas que esquentavam a barriga no fogão e a esfriavam no tanque, trajando penhoar e chinelos. Parece, mas não saiu. Surgiu na verdade de uma carinhosa troca de e-mails entre Maria Carolina Piovesan, 29 (foto), e seu marido, o advogado Ernesto Piovesan, 32. Carolina, assim como as outras entrevistadas desta reportagem, já trabalhou fora, mas optou por largar a carreira para cuidar dos filhos – no caso dela, Gabriel, de 2 anos e 5 meses.

Formada em direito, ela foi sócia do marido em um escritório de advocacia por um ano e abdicou do trabalho há três. Ficou mal por abrir mão da sociedade, mas não se arrepende. “Na época eu não tinha escolha, porque engravidei, casei e montei apartamento ao mesmo tempo”, conta. “Como detesto a ideia de que o meu filho seja criado por uma babá, não tenho planos de voltar a trabalhar tão cedo.”

Carolina gosta de deixar bem passadas as camisas do marido e de fazer pratos sofisticados para ele. Concorda até em ser chamada de dona de casa, mas de Amélia, jamais. O termo ficou famoso como sinônimo de “mulher do lar” por causa do samba Ai, que Saudades da Amélia, de Mário Lago e Ataulfo Alves. Lançada em 1941, a música ressaltava as virtudes de uma Amélia que se dedicava de corpo e alma ao bem-estar do marido – o refrão dizia que “Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de verdade”. Os motivos para a nova geração de donas de casa rejeitarem com tanta veemência esse estereótipo é óbvio. Em primeiro lugar, elas são vaidosas, sim, e muito. E abandonaram a vida profissional não por falta de opção ou por pressão do marido – foi escolha pessoal.

“As mulheres aprenderam a escolher o que lhes traz felicidade, mesmo que isso implique em assumir papéis considerados mais tradicionais”, diz a antropóloga Mirian Goldenberg, especialista em questões de gênero e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Elas perceberam que causa um estresse danado tentar provar perfeição o tempo todo em todos os domínios da vida. A guerra entre os sexos já não é ferrenha como no passado. Ela fazia sentido naquele momento de afirmação de direitos e busca de igualdade, mas isso passou. Os homens deixaram de ser vistos como inimigos.”

Profissão: dona-de-casa
Mulher maravilha?A decisão deve ser compartilhada
A verdadeira história de AméliaPara ler

Produção: Vestido Gregory, colar Fabrizio Giannone, sandália Peach by Constança Basto


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