Publicado em: 15/09/2010 às 15:38 | Por: Fabiana Faria
Passar o dia online não é só para quem está offline na vida profissional. Na verdade, navegar por horas a fio na web agora é profissão, e de nome chique: analista de mídias sociais. Assim são chamados os funcionários encarregados de monitorar, dentro das empresas.

O que se fala sobre elas na rede, além de criar e divulgar campanhas virtuais. “Há um grande potencial para esse novo mercado. Atualmente existem mais vagas do que gente para preenchê-las”, diz Carolina Stilhano, gerente de Comunicação da Catho Online. Pesquisa realizada pela instituição mostra que os salários dos analistas de mídias sociais variam de R$ 510 a R$ 2.700. “Essa é uma carreira que ainda está em vias de profissionalização”, afirma a analista de RH Juliana Nascimento, da Cia. de Talentos. “Cursos como publicidade e marketing só agora estão começando a tratar de assuntos ligados a ela.”
Por ser uma atividade nova, não há muitos pré-requisitos para os interessados em ingressar nela, o que é uma boa notícia para quem quer iniciar sua vida profissional e não sabe muito bem como. “Não precisa nem de diploma”, afirma Gustavo Fortes, presidente da agência de marketing virtual Espalhe, uma das primeiras a contratar analistas (ela atende várias empresas que preferem terceirizar esse serviço).
Caça-tesouros
Quem entende muito bem o funcionamento das redes obviamente leva vantagem na disputa por uma vaga nessa área, que emprega preferencialmente jovens. “A maioria dos nossos consultores digitais tem de 25 a 30 anos. Entre eles há gente de várias áreas de formação, até de design de interiores”, explica Andrea Dietrich, diretora do recém-criado núcleo digital do Grupo Pão de Açúcar, que pretende investir R$ 10 milhões nesse departamento até o fim do ano.
Um levantamento divulgado em julho pelo instituto de pesquisa Ibope Inteligência mostra que 87% dos internautas brasileiros estão nas mídias sociais. É de olho nesse público que as empresas decidiram ampliar sua participação na rede contratando os profissionais que muitas vezes merecem ser chamados de “espiões virtuais”. Renata Arcoverde, 24 anos, analista da agência iThink, trabalha para a seguradora Porto Seguro respondendo a perguntas e críticas dos internautas e, principalmente, divulgando campanhas da empresa pelo computador. “Vou fuçando as comunidades de amantes de carros, por exemplo, para identificar oportunidades de atuação para a Porto e para postar novidades”, explica ela. Gabriela Hesz,22, analista da agência Garage IM, também tem a missão de encontrar comunidades em que os consumidores discutem assuntos que possam interessar aos clientes. “É mais eficiente abordar um fórum ativo com 200 pessoas que falam sobre panelas do que uma comunidade desatualizada com 20 mil.”
Nem precisa ser popular
Usar a própria rede para cair nela é um bom caminho para garantir seu lugar nesse mercado. Lidiane Faria, 25, contratada há um mês pela agência Espalhe, twittou que precisava de emprego e dias depois foi efetivada. No caso dela, um blog que alimentou durante um intercâmbio no Canadá serviu como prova de sua capacidade de interação.
Seguidores e popularidade ajudam, mas não são pré-requisitos. “Não sou muito conhecida. Tenho 515 seguidores no Twitter e não mais que 180 amigos no Orkut. O que contou foi saber quem eram os blogueiros famosos”, ensina Gabriela. “Também me exigiram o conhecimento de quem bomba na net”, emenda Renata, que acrescenta a facilidade em escrever à sua lista de qualidades. “Tenho um jeito íntimo de twittar e blogar que acabou agradando.”
Reportagem de Danilo Rodrigues
Foto: Daniela de Lamare e Eliane Testone
Trabalha e se diverte como repórter. Adora poás, o estilo vintage e compraria um sapato por dia se pudesse.
@giuparcaJornalista apaixonada por moda, beleza e matrioskas. Adora internet e não consegue ficar sem batom vermelho.
@ninamaggiJornalista, consumista e perfeccionista. Mente acelerada e apaixonada. Paulista com alma carioca.
@brutavares
Copyright © 2012, Editora Abril S.A. – Todos os direitos reservados