Publicado em: 10/12/2011 às 20:24 | Por: Silvia Amélia
“Tenho 20 anos e estava muito insatisfeita com o fato de ainda ser virgem, parece que falta alguma coisa, que estou atrasada na minha vida sexual. Então eu decidi que queria perder a minha virgindade esse ano. Decidi que iria ter uma amizade colorida assim eu teria certeza que as coisas poderiam ir mais devagar, e daria tudo certo. Porque não arrumar um namorado? Eu não quero um namorado agora, não acho que esteja pronta para algo tão sério, e também não queria me arriscar com um estranho. Amizade colorida me parecia ser a melhor opção. Então fiz a proposta a um amigo meu e ele disse que sim. Eu escolhi ele por ser um dos meus melhores amigos… Ele tinha acabado de sair de um relacionamento sério (com uma amiga minha) … Muito complicado tudo isso, eu sei. Mas no final das contas nós decidimos tentar a amizade colorida…
Nosso acordo era claro: não importava o que acontecesse sempre seriamos amigos. Então marcamos e ele veio para minha casa, estávamos nervosos, mas depois que começamos a nos beijar as coisas fluíram… mas na hora de transar ele não conseguia. Tentamos outro dia e ele também não conseguiu. Ele disse que precisava me ver menos como amiga e que ia me levar para sair. No dia seguinte, mandei mensagem perguntando que horas a gente ia e ele disse que estava cansado… Pelo Facebook ele falou que não queria mais fazer isso, que sempre que ele brochava, ficava triste e não queria mais ficar assim. Fiquei muito triste, acho que eu merecia uma dispensa cara-a-cara. Ele disse que iríamos conversar sobre tudo que aconteceu, mas já faz dois meses e as coisas entre a gente mudaram. Queria muito ter o meu amigo de volta.”

Mesmo entre amigos é preciso um climinha para rolar sexo... Se não, Júlia sabe bem, tudo acaba em climão!
Júlia, você conseguiu juntar numa mesma situação vários elementos da “paumolecência” : pressão (você é amiga dele, então teria que ser “especial”), era a sua primeira vez (então teria que ser “especial”), artificialidade (vocês não se paqueravam, eram somente amigos), término recente (ele estava bem condicionado a transar com outra) e culpa (você é amiga da ex dele!). Só faltou você dizer que ele estava bem bêbado no dia para reunir todos os elementos de uma “bomba de efeito moral”. O natural numa situação dessas é mais ele ter dificuldades (ou impossibilidade total) do que tudo fluir lindamente. Definitivamente não eram circunstâncias inspiradoras….
Moça, por que esta urgência em perder a virgindade, heim? Se for só para poder dizer que a perdeu, para não se sentir diferente das amigas – acho uma grande bobagem. Agora se for porque você sente um desejo irresistível de experimentar o sexo, vá lá, dá para entender a pressa.
Não acho que a primeira vez é algo tão especial e fabuloso assim, mas também não é irrelevante. Chamaria de “lembrável” (pois se falarem no assunto no futuro, você sempre vai se lembrar – mesmo que vagamente – deste dia) e não necessariamente “inesquecível”. Esta palavra dá um peso de ser um momento maravilhoso – nem sempre é.
Mas, por outro lado, Julia, transar (ainda mais quando não se tem experiência) também não é algo simples como dividir um sanduíche com um amigo. Do tipo que você, do nada, diz “topa?” e se ele responde “sim” vamos que vamos e é tudo uma delícia. É um pouquinho mais complexo que isso, viu?
Achei muito engraçada a sua racionalidade. Você calculou que com um desconhecido seria perigoso e com um namorado não era hora, noves fora zero, o resultado foi: amizade colorida! Então o próximo passo era escolher um amigo, você avaliou e viu que tinha que ser com aquele mais legal, mais próximo. Parceiro escolhido, pode ticar este item da lista. Em seguida faltava marcar a data e o local e isso você providenciou rapidamente. Óbvio, não deu certo.
E tentaram novamente e não deu certo de novo. Aí ele falou que ia te chamar para sair e no dia seguinte você já estava cobrando. Assim como cobrou um fora cara-a-cara… Muita cobrança para uma amizade-colorida, não?
Não funcionou, Julia, porque faltou algo essencial para o sexo acontecer (entre amigos, casados, namorados, amantes, pessoas que acabaram de se conhecer etc) – seduuuução. As pessoas vão para a cama quando estão seduzidas. Pode ser uma sedução cheia de amor ou sedução instantânea antes de sexo casual. Mas tem que ter uma troca de olhares, uma conversinha mais insinuante, um carinho espontâneo e “quente” para que duas pessoas que nunca transaram (mesmo que sejam as mais experientes do mundo) sentirem vontade de transar uma com a outra. Mesmo amigos que transam (a tal amizade colorida) se paqueram de certa forma, existe alguma sedução entre eles, a coisa nunca pode ser assim tão “à seco” , tão artificial.

- Estou atrasada, estou atrasada, preciso perder a virgindade ainda este ano e estamos em dezembro, estou atrasada (como o coelho de Alice, Júlia não consegue deixar a vida fluir e espera forçar os acontecimentos, tsc...tsc...)
É impressionante a sua ilusão de que poderia controlar tudo. Vocês combinaram que “acontecesse o que fosse, continuariam amigos”. Ha ha ha ha Só rindo mesmo. Você acha que a vida é fácil assim, né? A gente decide não se apaixonar e pronto, não se apaixona. Ou decide que vai transar com o amigo e a amizade vai continuar a mesma coisa e ela continua idêntica, certo? Não mesmo!
Julia, querida, transar com amigo sempre muda a amizade – podem se tornar amigos mais próximos; passarem a namorar; um se apaixonar e o outro não; ou ninguém se apegar mas ficarem sem graça porque o momento não foi tão bom assim. Muito ou pouco, a relação vai mudar, isso com toda certeza. E daqui pra frente aceite que ninguém nunca é capaz de determinar o que vai sentir no futuro.
Bom, o problema que você coloca é como retomar a amizade. Olha, depende do que ele está pensando – se está com vergonha de você, ou arrependido por ter topado sua proposta ou com raiva por você ter tido esta idéia maluca. A questão séria é que ele pode ter associado a sua cara com “paumolecência”, como diria minha prima Maria Isabel . Ele pensa em você e automaticamente diz para si mesmo “eu sou um brocha”. Então a sua presença o deixa triste – e isso é o oposto de uma amizade.
Julia, não adianta nada você tentar forçar a barra. Acho que deve mandar um e-mail para ele falando que sente saudade de conversarem. Por favor, não o faça ficar deprê relembrando o que fez vocês se afastarem – ele já sabe disso. O melhor seria que este e-mail não fosse totalmente gratuito. Mande quando você tiver algo para contar para ele – por exemplo, que vai mudar de estágio/emprego. Diga que gostaria de dividir com ele esta (ou qualquer outra alegria/tristeza). Assim o e-mail terá o tom certo de “quero sua amizade” e não de “quero tentar mais uma vez perder a virgindade com você”. Faça contato sempre que tiver realmente o que dizer e aguarde (sem cobrar!) as resposta dele. Jamais suplique para tudo voltar a ser como antes, este tipo de coisa não se pede.
É provável que ele tenha se afastado por medo de vocês acabarem tentando mais uma vez – e falhando mais uma vez. Não diga que não quer mais transar com ele. Simplesmente não toque no assunto. Deixe para conversarem sobre isso quando a amizade já tiver voltado totalmente e vocês conseguirem dar muita risada deste episódio infeliz.
Queridas, quais caminhos vocês propõem para Julia reconquistar a amizade do amigo descolorido?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
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