Paula, a sua mensagem me fez lembrar um causo de quando eu estava na faculdade. Senta que lá vem história…
Era hora do almoço. Cheguei à cantina da Fafich (prédio onde fica o curso de Comunicação Social) e avistei minha amiga Carolzinha almoçando com uma desconhecida, caloura do curso. Peguei meu PF e me sentei com elas. A desconhecida – acho que se chamava Cláudia – contava sobre o namorado, que ela tinha ido com ele a um churrasco do curso e ele não se divertiu em nenhum momento, não falou com ninguém, que ele era muito sério, muito diferente dela…
- Você vai terminar com ele! - interrompi, entre uma mastigada e outra. As duas me olharam espantadas.
- Pára, Sílvia…, Carolzinha disse baixinho.
- Não vou não, eu amo o meu namorado, ele é ÓTIMO, estamos juntos há QUATRO anos, Cláudia disse.
- Você vai terminar com ele SIM, e é logo.
- PÁRA, Sílvia! Você não conhece a menina, para com isso, p-á-r-a! – senti que a Carolzinha estava prestes a apelar feio comigo.
- Tá bom. (decidi me calar para não chatear mais a minha amiga e, na verdade, já me questionava porque tinha feito aquela grosseria gratuita)
Um mês depois… Numa festa da Comunicação eu escuto uma voz de mulher gritar “bruuuuuxa, bruuuuuxa, bruuuuuxa”. Era comigo. E era a tal Claúdia. Ela veio e me abraçou, completamente bêbada e disse “bruxa, eu terminei com o meu namorado! Você é uma bruxa! Bruxa, bruxa…”.

por conta do namorado, Paula viveria guardada dentro de uma caixa. e só ele entraria lá dentro para brincar...
Bom, não sou uma bruxa (ou sou? huahuahuahauhauhaua). Contei isso, Paula, porque sua história me lembrou a Cláudia falando. Reclamava de vários problemas do namorado e depois ponderava que ele era ótimo e bláblá e depois reclamava…
Vou te falar minha opinião que não é nada mediúnica – é só uma opinião. Paula, você diz que seu namorado é inseguro e, pelo que você descreve, o menino realmente aparenta ser beeeem inseguro. Olha só, particularmente eu acho que insegurança é uma das coisas que mais torna uma pessoa sem graça, chata, desinteressante, zero-sexy. Tanto homem quanto mulher.
A pessoa pode ser linda, inteligente, divertida, mas se tiver insegurança além da conta tudo de bom fica “eclipsado”, e a gente acaba não vendo as qualidades escondidas pela sombra da tal insegurança. Agora você até consegue perceber que ele é um cara com várias características legais. Mas a insegurança está crescendo e encobrindo tudo…
Afeto é algo que não se exige. Isso muita gente não entende. Se você manda uma mensagem amorosa, aguarde que a pessoa responda. EXIGIR que ela te mande uma mensagem de amor é esperar artificialidade, obrigação e não carinho verdadeiro. E ai você conta que ele entra no seu e-mail para ver se você leu a mensagem dele!
Cataploft! (Desmaiei!)
Cof.. cof… cof… recobrei os sentidos, agora posso continuar. (Tive que interromper a escrita deste post para buscar um balão de oxigênio! Esta informação me deu falta de ar). Moça, como assim ele tem a sua senha e fica entrando toda hora para ver se você leu a mensagem que ele te mandou? Ai, que gastura! E você deu a senha para ele se sentir seguro, foi isso? Pois saiba que este “remédio” tem efeito colateral pior do que o seu hipotético benefício. Mas ele não é imediato, envenena a relação em longo prazo…
Ah, quanto a desculpinha “fico preocupado” para que você telefone todo dia quando chega da faculdade existe desde de que o telefone foi inventado, né. A não ser que você more sozinha e precise atravessar a cracolândia para chegar em casa, não faz sentido esta “regra”. Pois se você mora com seus pais ou com amigas certamente eles darão pela sua falta caso seja raptada por óvnis na volta da faculdade. Portanto, “nunca precisou” de tanta preocupação assim. (nunca precisou é uma gíria mineira para ser dita diante de uma proposta/ideia absurda) Ele pede para você ligar para ter a garantia de que nunca você vai ficar de papo com ninguém depois da aula – e você já sabe bem que é só por isso mesmo.
Paula, você diz que seu namorado é maravilhoso, te faz rir e que você fala com ele sobre tudo. Mas acho que é preciso conversar ainda mais. Não só sobre coisas agradáveis, mas sobre o seu incômodo com o comportamento dele. Não recomendo que termine, mas que não aceite de jeito nenhum que a situação continue assim. Trate de colocar limites no seu namoradinho ciumento. Ele deu piti porque te viu conversando com alguém que ele não conhece? Endureça com o rapaz. Fale “opa, opa, o que você quer saber? Quem é Fulano? Ele é meu amigo, quer que eu te apresente?” Não dá bola para os xiliquinhos dele não, heim.
Reaja com firmeza a cada atitude controladora. Se te cobrar responder um e-mail, diga “alto lá, quer que eu responda por inspiração ou por obrigação?”. Seja dura agora ou no futuro você vai se sentir cometendo um crime a cada vez que conversar com um ser do sexo masculino (esse medo pode ser introjetado pelo repressor na cabeça de sua dominada, e aí…).
Namoro não pode ser bom só no particular, tem que funcionar também na vida pública. Não dá para viver apreensiva porque o namorado parece um corvo vigiando todas as ações da namorada. Quem faz isso dá o atestado de ser mega-inseguro. E pessoa insegura é um porre, uma chatura sem limites…Vira este jogo, mulé!
Se ele te ama mesmo e se você se esforçar bastante… sim, essa situação pode mudar. Você é a primeira namorada dele, ele é muito jovem, ou seja, pode aprender e mudar muito. E estas mudanças farão bem para os dois, você vai ver.
Queridas, o que acham? Este tipo de controle (não poder conversar com quem ele não conhece, sempre ligar ao chegar da faculdade, trocar senhas, cobrar respostas etc) também sufocaria vocês?
O que fariam para convencer o namorado a mudar?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
p.s. e chega de posts sobre namorados controladores, né? ao menos por um tempo. vamos mudar de assunto, temos muito do que falar. quem quiser mandar sua história, escreva para amor-etc.gloss@abril.com.br
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