“Comecei a namorar o Fernando no ano passado. Seus pais moravam num sítio fora da cidade. Durante oito meses eu só vi o pai e mãe umas três vezes e eles me trataram bem. Já a irmã que morava com ele nem olhava para mim…nem um ‘oi’. Umas 3 primas dele me adicionaram no Orkut. Eu fiquei feliz, pois já tive namorados que não tinham muito contato com a família e o Fê valoriza muito isso.
Mas depois de 8 meses ele terminou comigo e ficamos seis meses separados. Duas das primas me excluíram do Orkut e uma delas ainda apresentou uma amiga para ele e eles acabaram ficando. A pior coisa que aconteceu em relação à família dele foi que nós fomos a um baile de formatura (ainda separados) e lá nos vimos, nos falamos, mas não ficamos. Eu curti a festa com minhas amiga e ele com o povo dele lá. Só sei que a família dele fez um vídeo meu dançando para ficar zuando da cara dele (ele me contou quando voltamos).
Já faz seis meses que voltamos, tirando o pai, a mãe e até a irmã, o resto não me desce. Eu fico travada quando saio com ele e com a família, fico muda, me sinto excluída. Em uma festa que fui com ele, mas nessa hora estava sozinha, umas primas e primos e o cunhado passaram quase em cima de mim e viraram a cara. Sei que ele quer que eu me dê bem com a família dele, mas para mim não dá. Ir para casa dele quando está só pai, mãe e irmã é ótimo, mas quando resolve chegar gente ou tem alguma festa para ir é um sacrifício para mim. Semana passada saímos com uns primos dele e eu fiquei muda o tempo todo, sem eu querer eu fiquei calada e até mesmo de cara fechada. Eu queria resolver isso, me dar bem com a família dele, não só por ele, mas por mim também.” – Ana
*família, família, se intromete na sua vida, nunca perde esta mania… (faça – mentalmente – uma paródia desta música dos Titãs para seu namorado)
Ana, namorar – e principalmente casar – é levar o pacote completo, o namorado com a família mala junto. Ou com a família linda e amorosa, depende da sorte de cada uma. Você já sabe da importância disso, mas não está conseguindo fazer esta aproximação. Vamos lá pensar em caminhos para resolver esta pendenga.
Carinho não se conquista na marra, não podemos nunca forçar a barra neste sentido. Mas, por outro lado, sem falar uma palavra e fechando a cara também fica impossível conquistar a simpatia dos outros. Entendo a sua situação, eles não dão abertura (não dão “beirada” como diz minha amiga Tereza) nenhuma para sua aproximação. Mas você pode fazer sua parte.
Invista sempre e bastante na relação com seu namorado. Quanto mais unidos vocês estiverem mais força você terá para lidar com isso. E mais ele vai se esforçar em te ajudar (sim, você dificilmente conseguirá isso sem a ajuda dele). Fale com o Fernando sobre o seu mal estar, mas não critique a família dele. Os parentes de qualquer pessoa podem ser umas pestes, mesmo assim quase ninguém aceita que uma pessoa de fora lhe diga isso. Portanto: atenção com as palavras. Com tranqüilidade, pergunte o que ele acha que você pode fazer.
* cante assim o refrão “vocês não gostam de mim, mas o seu primo gosta” quando encontrar as chatonildas nas festas de familia
Pelo que você conta os pais dele (e agora a cunhada) são simpáticos a você – menos pior, estes são os parentes mais importantes. Uma sogra e uma cunhada dos infernos detona muito relacionamento lindo. Tente se aproximar mais ainda dos seus sogros. Não de forma artificial, nada de dar presentes. Converse com eles, pergunte sobre a vida deles, ouça, fale de você. Sempre que tiver oportunidade, fique mais próxima deles, converse e se divirta na presença deles.
Assim quando o resto da família vier falar de você pelas costas, você já terá bons defensores. Quando sua relação com a sogra estiver ótima, fale com ela sobre o incômodo que sente diante de algumas pessoas da família (não ofenda ninguém, lembre que a família é dela). Pergunte para a digníssima o que ela acha que você pode fazer. Independente da resposta, o fato de você se abrir com ela sobre isso (após já terem uma relação de amizade, claro) a colocará numa situação de ter que tomar atitudes. Ela pode, por exemplo, pedir às tais criaturas que mudem o comportamento porque ela não gosta que a tratem assim.
Sua cunhada era do tipo que passava e nem falava oi e deu uma mudada, né? O que aconteceu para ela melhorar a forma como te trata? Pense sobre isso – às vezes aí tem algumas respostas sobre como pode aprender a lidar com esta família tão difícil.
Agora, se a parentaia chega e passa direito sem te cumprimentar, não se faça de rogada. Cumprimente-os com toda a educação do mundo – mesmo que eles não respondam. Oi Dona Naja! Bom dia, Jibóia! Como vai Senhor Urutu e a Surucucuzinha, porque não veio? (substitua o nome das cobras pelo das pessoas, óbvio, mas pense em nomes de cobras só para ficar rindo por dentro). Se eles não responderem ao menos ficará claro para seu namorado e os pais dele (ou só para você, que seja) que você está tentando e os outros é que estão dificultando.
* algumas diferenças são “inconciliáveis”. se depois de tentar um bocado eles ainda não te aceitarem, seja feliz e deixe que se sintam irritados com sua existência
Quando sair com todo mundo, tente participar da conversa. Tudo bem que chegar e contar um causo para este povo entupido deve ser uma tarefa hercúlea. Não precisa tentar isso de cara. Mas preste atenção ao que falam – com um olhar tranqüilo. Se não consegue falar muito, faça perguntas. A pessoa está contando um caso, pergunte algo para alimentar que ela fale ainda mais. Ria quando todos riem, faça este esforço. Não precisa morrer de forçar para parecer que está se divertindo horrores, mas faça uma forcinha para não se mostrar entediada e constrangida.
As primas provavelmente querem acabar com seu namoro para que Fernando namore a amiga delas. Mas elas se ferraram neste projeto porque ele não quer isso e prefere ficar com você. O amor e a união entre vocês dois (conquistada com muita conversa sincera) vai acabar afugentando estes urubus, você vai ver.
Quanto ao vídeo eu chegaria para a tia peçonhenta e falaria, com voz doce e olhos brilhando de ódio – “Querida, fiquei sabendo que me filmaram na festa daquela formatura. Depois poderia fazer uma cópia para mim? É que me diverti tanto naquele dia que gostaria de ter uma lembrança… muito gentil de sua parte ter me filmado…” Mentira! Desconsidere este parágrafo, esta foi uma dica da Sílvia-má que se apossou de mim por um breve instante. Não entre nunca no jogo deles.
Ana, minha sugestão verdadeira é que você se esforce. Peça ajuda ao namorado e a quem mais desta familia se aproximar de você. Faça a sua parte e deixe que eles fiquem como os ratos da história. Não se abata, seja nobre em suas atitudes e os trate com respeito mesmo eles não merecendo. Faça isso pelo seu namorado e para não desgastar sua beleza sofrendo.
Mas não vá além do seu limite. Uma coisa é ter a força espiritual de tratar bem quem lhe faz uma cara azeda. Outra é deixar que te ofendam e te humilhem. Dê uma chance, mas não se obrigue a aturar desaforos. Se passar dos limites, explique ao seu namorado que não quer se sujeitar a este tipo de coisa. Não peça para ele escolher entre você e algum familiar, apenas explique com quem exatamente você não quer conviver. E aguarde que ele reflita e perceba que este tipo de amor que eles têm por ele é desprezível, pois as priminhas e etc querem é mandar na vida de Fernando, escolher quem ele deve namorar.
Nada de dizer isso assim diretamente ao seu amado, pois ele não vai te ouvir, viu. Primeiro se esforce e depois aponte o que não consegue mesmo suportar. Em algum momento ele também terá que tomar atitudes. Fernando não pode apenas desejar que sua namorada se dê bem com seus parentes, ele também deve esperar que seus parentes queridos tratem bem sua namorada.
Amigas desta cozinha virtual (daquelas de sítio, heim, com fogão a lenha e tudo), alguma de vocês enfrentou uma sogra cobra, uma cunhada caninana ou priminhas hienas do inferno?
Como fez para conquistar a família dele? Ou como rompeu com algum familiar dele sem estremecer o namoro?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
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