Publicado em: 18/03/2012 às 20:12 | Por: Silvia Amélia
“Namoro a distância há 1 ano e 4meses. Até então, apesar das dificuldades nos damos bem, só que essa distancia machuca a gente e a vontade de estarmos perto um do outro é muito grande. Tenho 19 anos e ele 18. Nos amamos muitos e temos vários planos para o futuro. Só que ultimamente temos brigado muito. Não entendo como um amor tão lindo e forte se torne vulnerável quando as brigas aparecem. O medo de acabar é muito grande pois eu já escolhi ficar com ele para a vida toda. Ele me pediu em casamento, pediu para eu morar em São Paulo com ele. Só que eu sou de Sergipe, tenho uma vida aqui faço uma universidade federal, tenho futuro promissor. Minha família e amigos não apóiam eu largar tudo para ir tentar a vida com ele. Preciso de conselhos, me ajudem!”
Iara, ler o seu depoimento me faz imediatamente cantarolar o refrão daquela música do Cartola que o Cazuza gravou “ainda é cedo, amor, mal começaste a conhecer a vida. E já anuncias a hora da partida. Sem saber mesmo o rumo que irás tomar…” Acredito que sua família e amigos pensam mais ou menos o mesmo.
Para ser sincera com você preciso assumir – e te alertar – que o tempo torna a gente um pouco mais cética. Imagine só se uma menina de 10 anos chegasse para você e falasse que estava sofrendo muito porque o menino que ela gosta mudou de escola e agora eles não iam mais se ver com freqüência. Qual seria sua reação? Provavelmente pensar: isso vai passar, você vai viver muitos amores ainda e um dia vai achar graça deste momento. É mais ou menos este o impacto inicial que tenho ao ler o que você diz.
Só que eu também sou capaz de compreender e imaginar o quanto está sofrendo com esta situação. Vou comentar sobre sua história com todo respeito – é que antes eu precisava mesmo admitir que, assim como sua família e seus amigos, tenho um certo olhar descrente sobre a vantagem de você largar tudo e ir atrás dele. A verdade é que eu tenho uma velha rabugenta dentro da minha mente, e às vezes (como agora) ela fica querendo se manifestar….
Não faz sentido nenhum ir morar junto num momento em que se está brigando muito. A gente vai morar junto quando está com muita vontade de morar junto, quando conclui que é a hora de dar este passo na relação. Ah, é super importante eu te dizer que morar junto é maravilhoso – quando um casal faz isso na hora certa. Agora quando não estão de fato maduros para isso… vixi, só aumenta as brigas
Iara, parece claramente que você está totalmente desesperada com as brigas e quer fazer qualquer coisa para selarem as pazes, mesmo que seja deixar de lado seus estudos e sua carreira, sua cidade e sua família. Não me parece que você QUER tomar esta decisão, mas que está sendo pressionada por ele e não vê saídas para salvar este relacionamento.
Querida, é importante prestar atenção ao que acontece durante as brigas. Ao que se diz e se ouve, a como cada um se comporta. Às vezes é justamente durante as brigas que as maiores verdades sobre o relacionamento vem a tona. Tem gente que diz “nosso relacionamento é lindo, mas temos brigas horríveis” como se as brigas não fizessem parte da relação, fossem um momento de surto, de pausa, uma exceção. Mas não é assim, as brigas são parte – quando você aceita ficar com alguém você leva tudo, o jeito da pessoa te olhar, beijar, como conversa e também como briga, como reage ao ser contrariado.
Curiosidade: se você for para São Paulo viver com ele, onde vão morar? Se for na casa da família dele o meu lado véia rabugenta grita “99,9999999% de dar merda”. Se for só com ele – com que dinheiro vão pagar as contas? A sua família não está disposta a te ajudar, a dele está? Você diz que vocês fazem muitos planos para o futuro – esses planos incluem você se formar e ter o tal futuro promissor? Ou é uma realidade paralela em que você se satisfaz apenas com a companhia de seu grande amor?
Olha, se você fosse uma prima mais nova que viesse a minha casa me contar este dilema eu iria te propor o seguinte: agüenta mais um pouco de namoro a distancia. Daí no meio do ano, nas férias de julho, você vai e passa o mês inteiro com ele em São Paulo. Enquanto isso reflete sobre como de fato seria sua vida se mudando para lá. Se você perceber que é isso mesmo, passe a estudar dia e noite para tentar o vestibular da Fuvest e também as provas de transferência ou de intercâmbio entre a sua universidade e as universidades de São Paulo.
Agora se ele não pode esperar por isso ou se de algum modo ele quer que você vá atrás dele não só deixando de lado Sergipe mas a vontade de estudar e de ter uma profissão… é furada, furada total este rapaz. Opa, a velha rabugenta que me habita disse esta última frase. Não estou conseguindo controlá-la ao escrever este post.
Brincadeira à parte, isso é realmente importante de se refletir. O que você quer para sua vida? Se formar na universidade é algo tão importante assim para você? Para mim sempre foi. Mas pode ser que você se imagine bem sem isso. Como seria sua vida com ele em São Paulo? Você quer isso para você ou está atordoada com a pressão que ele está fazendo?
Você realmente acha que vale a pena mudar a vida inteira para ficar ao lado do seu namorado adolescente? Sim, o fato dele ter 18 e você 19 é muito importante – daqui 5 anos você será outra pessoa completamente diferente, com desejos muito diferentes. Não estou dizendo que vai necessariamente deixar de amá-lo, só que vai pensar de forma diferente e ter outros sonhos, prioridades e frustrações (inclusive de acordo com as escolhas que fizer hoje).
Sabe, Iara, eu acho que no fundo você tem consciência disso tudo e acha bem confortável ter a opinião da família, dos amigos e até a minha contra esta atitude. Assim você não precisa assumir para si mesma que quer ficar onde está, continuar estudando e namorando a distância mesmo. Fica mais fácil falar que os outros é que não concordam. Ao decidir não ir (e ele terminar com você por isso) você não assumiria o peso de ter decidido não ir, já que foram os outros que não lhe apoiaram…. É uma postura bem cômoda!
Moça, no fim das contas faça o que QUER fazer, não o que o seu namorado quer e nem o que a sua família e amigos querem. Faz o que você mesma quer de verdade. Se decidir ir para São Paulo, por favor, use de maneira obstinada algum método contraceptivo. Se você for, se arrepender e quiser voltar será relativamente simples – você destranca a matricula na universidade e segue a vida. Nada de engravidar por enquanto, heim! Isso certamente seria o que eu diria com mais ênfase a uma amiga de 19 anos na mesma situação que a sua.
Amigas deste blog, o que acham – Iara deve ir atrás de seu amor?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
Publicado em: 29/02/2012 às 12:19 | Por: Silvia Amélia
“Meu nome é Mônica, eu estava namorando um cara, só que tem um problema, ele tem namorada. Ele não mora na minha cidade, está passando uns tempos aqui e vai para a cidade dele a cada 15 dias. Antes quando ele estava lá ele ligava avisando que chegou, só que depois que completamos 5 meses ele não fez mais isso. Um dia, quando ele foi, me mandou a mensagem ´Mônica, eu já cheguei em casa, quando der eu ligo para você, não me ligue, deixe que eu ligo, desculpa mas vai ter que ser assim´. Fiquei um pouco sem entender. Senti muito pois mesmo ele lá nós sempre nos falávamos. Ele sempre foi carinhoso, embora nunca foi de falar meu amor, eu te amo e coisa e tal. Não falei nada, deixei continuarmos. Quando completamos 7 meses eu terminei. Ele já estava muito estranho, num dia ligava, no outro não. Quando eu ligava no dia seguinte ele falava que esqueceu de mim… Decidi terminar mas na hora que eu fui conversar com ele as palavras saíram pela metade. Só que eu não aguentei mais dividi-lo com outra pessoa. Ele é um amor, sempre me entendeu, me escutou, me aconselhou, sempre esteve do meu lado. Namoramos esses 7 meses escondido, mas só acabei porque sei que ele tem que ir embora da minha cidade e pelo fato do jeito como ele estava agindo. Quando terminei eu coloquei na cabeça que assim já iria me acostumando a não tê-lo e quando ele fosse embora seria mais fácil. Mas ao mesmo tempo eu quero voltar e aproveitar o tempo que ele ainda vai ficar aqui. Não sei o que faço.”
Mônica, este seu relato sobre os seus 7 meses de “namoro” dá um jogo de sete erros.
Erro número 1) Ele não namorou com você, ele tem uma namorada e você era a amante dele, para os tempos em que ele estivesse ai em sua cidade (longe da namorada oficial). Mas se você diz que da sua parte você era namorada dele, tudo bem, eu acredito. Só que é muito claro que não existia reciprocidade ai.
2) Como assim, Mônica, você ficou meio sem entender a mensagem dele pedindo para você não ligar e esperar que ele ligasse para você? Esta é a língua universal do cafajeste, querida! Ele quis dizer: estou muito bem aqui com minha namorada e não quero que você atrapalhe o meu relacionamento, quando eu tiver um tempo livre (e escondido) eu te ligo.
3) Ser carinhoso não quer dizer estar apaixonado, mas apenas “ter carinho”. Provavelmente ele sentia algum carinho por você, mas não amor, paixão da braba, vontade de ficar junto pra valer. Ele não falou “eu te amo” não por não ser de falar essas coisas, é por que ele simplesmente não te ama.
4) Não Mônica, ele não te “entendeu, te escutou e te aconselhou” sempre que você precisou. Se ele se esquecia de ligar e, quando você ligava, ele mesmo falava que tinha “esquecido de você” é porque ele nunca esteve assim tão disponível. Sim, ele pode ter sido muito simpático nos momentos em que conseguiu estar com você – escondido.
5) Mesmo contrariada você não falou nada e deixou sempre continuar. Talvez porque você soubesse que se falasse alguma coisa iria rodar na mesma hora. Afinal de contas, Mônica, o fato dele mudar de cidade é muito mais forte para você do que a forma como ele te trata. Acho que na verdade você terminou um pouco antes, pois sabia que – assim que ele parasse de frequentar sua cidade – nunca mais iria te procurar. É isso?
6) Então você foi para terminar, falou as coisas pela metade e mesmo assim ele aceitou de boa o término? Geralmente até quando a outra pessoa é bem clara ao decretar o fim a pessoa que está sendo terminada (se tem algum sentimento significativo) não entende direito a mensagem. Ele não precisou de mais de meias palavras para entender e aceitar o fim. Pode ser que ele já estivesse ansioso para que isso se resolvesse logo, já que em breve nem se ver por acaso mais você vão.
7) Suspeito que você acredite que o grande problema do relacionamento de vocês é a namorada dele, esta intrusa. Sem ela tudo seria perfeito! Mas não é bem assim. A questão é que ele tem uma namorada e quis você nesta situação, a de dividi-la com outra, a de ser um passatempo alternativo. Desde o início ele te contou isso, para que soubesse o lugar que ocupa na vida dele. A plena relação de vocês não é impedida por esta outra mulher, mas porque ele não está tão a fim de você (até para o ‘cargo’ de amante).
* Mônica, cante assim ”o namorado, tem namorada… e nããão sou eu”
Mas a sua questão, Mônica, é se você corre ou não atrás dele e aproveita os últimos instantes do rapaz em sua cidade. Mônica, querida, se é isso o que você quer fazer, não sou eu quem vai falar para quietar o faixo. Vai, moça, vai agora correndo!
Ele pode te desprezar ou vocês podem ter uma noite maravilhosa e mais alguns dias maravilhosos. Lembre-se de tudo o que escrevi lá em cima. Ou seja, depois disso é nada, nadinha. Assim que ele não tiver mais que voltar a sua cidade por questões de trabalho ele simplesmente não vai mais voltar. Só para ver você? Não mesmo. Ele ainda vai te ignorar quando ligar. E você vai se sentir uma trouxa.
Em todo caso você vai sofrer. Mas às vezes é melhor sofrer se sentindo a idiota enganada (mas que teve dias e noites memoráveis nos braços de um imprestável) do que se privar disso e se sentir idiota do mesmo jeito. Se você quer procurá-lo, procure – mesmo isso não sendo a atitude mais “correta”. E depois aguente o tranco da dor de cotovelo.
Moça, sinceramente, isso seria o que diria a uma amiga. Acho que um fora bem humilhante é mais “educativo” do que um fim em que a gente se mantem muito tempo iludida com a ideia de que poderia ter dado certo se tivesse dado “uma chance”. Na melhor das hipóteses você será feliz agora, sofrerá depois e em seguida aprenderá a identificar uma cilada antes de se afundar na lama. É o que desejo para você!
Queridas, o que acham que Mônica deve fazer – procurar ou não o “ex-namorado” (entre muitas aspas)? Mantem o fim e evita encontrá-lo ou se expõe mais uma vez a esta ilusão?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
Publicado em: 27/02/2012 às 15:41 | Por: Silvia Amélia
Dalila tem 26 anos e mora fora do Brasil. Ela namora há dois anos um homem de 40, divorciado. Dalila gostaria muito que ele fosse mais romântico. Mas no dia dos namorados (Valentine’s day) – que é em 14 fevereiro em muitos países – ele lhe deu apenas uma tigela sem embrulho. Segue relato.
“Ele é muito caseiro, prefere passar os fim de semana em casa. No Valentine’s day, quase não se importou em me oferecer algo especial. Apareceu com uma tigela como presente do dia dos namorados, nem sequer embrulhou! No ano passado não me deu nada, disse que não teve tempo de comprar. Ele nunca demonstra amor com algo romântico. Fico triste, pois ainda sou jovem e gostaria de ter um romance perfeito! Nunca recebi flores, cartão ou coisa assim da parte dele. Eu vou às compras, preparo refeições especiais, e não sou presenteada. Quando ele me deu a tigela eu quase chorei. O meu presente para ele foi perfume, roupa íntima e um cartão. A gente sempre discute a relação. Ele diz que temos que saber agradar um ao outro. Mas ele sabe que eu adoro rosas, mas me trouxe uma tigela! Estou totalmente desiludida. Como mudar o meu namorado?”
O melhor seria que a gente só namorasse quem tem afinidade com nossas características mais importantes (ou já embarcasse numa relação com alguém muito diferente consciente sobre essas diferenças). Mesmo quando é assim, lógico, vai rolar algum conflito, como é normal de todos os relacionamentos. Agora namorar alguém nada a ver e querer que – por amor ! – a pessoa mude, se transforme, vire outra, tsc, tsc,tsc… complica, viu.
Dalila, uma pessoa só muda se ela quiser muuuuito mesmo e se esforçar para isso. Só querer bem de levinho não basta. Pelo que você conta ele não parece muito interessado em mudar. E ai, como faz? O máximo que você poderá fazer é tentar mostrar para ele como isso é realmente importante para você, como a mudança dele te faria feliz.
* todo dia é dia dos namorados
Sei que você deve interpretar a dificuldade dele em presentear como falta de interesse por você. Pode ser. Mas pode ser também só uma questão cultural. Algumas famílias tem o costume, por exemplo, de todo mundo se presentear no natal e de escrever lindos cartões. E em outras é só aquele amigo oculto mesmo e está bão demais.
O meu namorado, por exemplo, sempre teve o costume de escrever cartões – aprendeu com a mãe. Já eu não tinha este hábito, era algo que nem passava pela minha cabeça. Ele compra presentes com antecedência, para no dia exato estar com o agrado devidamente embrulhado e em mãos – outro costume aprendido com a mãe desde criança. Já eu me esqueço de comprar presente nas datas comemorativas (inclusive me esqueço das datas), mas gosto de dar presentes fora de hora.
No meu caso, Dalila, o que acho que faz funcionar é que meu namorado não faz essas gentilezas esperando uma retribuição no mesmo estilo. Ele sabe que eu tenho o meu jeito de agradar, muito mais espontâneo, “de repente”, quando dá na telha mesmo. E ele tem o jeito dele, que é mais metódico, de se programar com antecedência e tal.
Se ele fizesse todas essas coisas fofas, mas me cobrasse ser igual a ele (como você faz com seu namorado), nossa, seria o inferno para mim. Pois viveria ansiosa com medo de esquecer alguma data. E quando ele me aparecesse com um presente isso me deixaria triste – pois saberia que o agrado viria junto com muita cobrança de também lhe presentear naquele momento.
Estou te contando essas histórias pessoais para que você pense se esses presentinhos e agrados que você faz para o seu namorado não o desagradam mais do que alegram. Assim como você está insatisfeita em ser presenteada ele pode estar achando um saco ser tão presenteado (ainda mais porque você cobra o tempo todo reciprocidade).

Se for uma tigelinha assim bonitinha, e se você for uma comedora compulsiva de cereais matinais e se ele falou "meu coração por ti, gela" ... quem sabe, heim
Olha, também pesa o fato do seu namorado ser bem mais velho que você e divorciado. Geralmente as pessoas vão se tornando menos românticas com a idade e – principalmente – devido às experiências amorosas frustradas. Não deveria ser assim, mas é.
O melhor, Dalila, seria você namorar alguém mais parecido com você. Um homem mais romântico, que fizesse mais essas firulas que tanto te fariam feliz. Mas se isso é tão importante para você (e você não quer terminar), entendo que deseje que ele mude. As chances são poucas, já falei. Mas se quer tentar, vamos lá.
Primeiro, certifique-se que ele não te presenteia realmente porque isso é algo do “jeito de ser” dele, enfim, se ele é mesmo muito ocupado, ou distraído, ou meio “seco”, sei lá. Ou seja, ele é assim com tudo, não lembra aniversário da mãe, não costuma comprar coisas nem para ele mesmo. Se ele não te dá nenhum presente por puro pão durismo mesmo, ah, credo, cai fora.
Se você percebe que ele mente que “esqueceu” de comprar um presente, que ele te enrola, pois não quer gastar nadinha para comprar nem um presentinho simbólico… Nossa, aí isso mostra ou um traço horroroso de personalidade (detesto gente sovina!) ou um descaso com você – ou as duas coisas. Por exemplo, se ele acha o máximo ser presenteado e não sente nenhum pingo de constrangimento de nunca te dar nada em nenhuma situação, hum… estranho. Parece pilantragem (está se aproveitando mesmo da sua boa vontade) ou acomodação excessiva (quer “evitar a fadiga” de ter que tomar qualquer atitude gentil e está pouco se lixando se você acha ruim).

Toda mulher gosta de ser surpreendida. Mas quando você "pede uma surpresa", já não é lá tão surpreendente assim...
Dalila, se fora as datas comemorativas o seu namorado se mostra carinhoso com você, apaixonado etc – apesar de nunca te presentear – vale a pena tentar “educa-lo”. Ao invés de armar o barraco depois que ele já não comprou o presente, converse com ele antes. Explique que para você é muito importante ganhar uma lembrancinha no dia dos namorados e no aniversário – pode até dispensá-lo do natal para não complicar demais, beleza?
Explique que o presente não precisa ser caro, pode ser baratinho-baratinho, mas também não pode ser qualquer coisa. Exemplo de qualquer coisa: uma tigela. O presente deve ser algo que combine com você ou que lembre a história do casal. Para saber o que combina com você é simples: basta prestar atenção ao que você fala. Explique tudo isso para ele.
Ah, dá para transformar essa questão numa brincadeira leve, Dalila. Quando você passar na frente de uma loja em que tiver algo que você amaria ganhar, invente uma sonoplastia – e, lógico, conte isso para ele. Fale “Que linda bolsa plimplimplim!” ou “Que linda agenda plim!”, “Adoro rosas plimplim rosas vermelhas então plimplimplimplim”. Ele vai rir e vai pensar em te dar um presente com alegria e não com pavor (o medo de você brigar muito com ele deve ser a explicação para a tal tigela sem embrulho, arrumada as presas). Ah, importante: explique para ele que o presente tem que ter 1) embrulho – se tiver um laço, então, sensacional. 2) cartão – com uma mensagem pessoal escrita a mão, claro. Uma semana antes do seu aniversário ou do dia dos namorados comente com bom humor “hum, falta uma semana…”.
Dalila, com bom humor, com leveza e sem virar uma chata reclamona eu acho que dá para despertar em alguém o desejo de mudar. Mas – de novo – ele só vai mudar se ele concluir que vale a pena.
Pense sobre o quanto um presente é de fato tão fundamental para te fazer feliz. Também avalie se essa insatisfação com o namorado não é muito mais ampla e se não vale a pena ficar sozinha e futuramente encontrar outro amor mais parecido com você. Por favor, não busque um “romance perfeito”. Nada é perfeitinho – e dá para ser bastante feliz com um tanto de diferença e imperfeição no meio.
Felicidades, Dalila!
Amigas deste blog, o que Dalila pode fazer para mudar o namorado pouco romântico? Vale a pena mesmo tentar muda-lo? Alguém tem um namorado que era secão e se tornou um mel? Conta aí!
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
“Namoro há quase dois anos, mas eu e meu namorado só fazemos sexo sem penetração. Eu morro de vontade de fazer sexo penetrativo, mas isso nunca ocorreu, digamos que sou virgem, pois nunca houve penetração na transa. Não é por falta de interesse e nem de oportunidade, simplesmente ele não penetrou nada. Às vezes penso se o problema é comigo pois ele é homem e nunca penetrou em mim. Ele me deseja toda hora, sempre me procura, mas não penetra quando transamos. Ele tem 25 anos, teve vários relacionamentos de longo prazo. Será que ele nunca fez sexo com penetração? Eu quero ter uma transa de verdade mas não quero abrir o jogo para ele e perguntar o que tem de errado, pois moro de vergonha e não tenho coragem. Já pensei em dizer que não sou virgem e que após este tempo todo sinto falta de uma transa de verdade, com penetração, mas tenho medo da resposta e não me parece ser uma atitude muito adulta. A gente faz de tudo na cama mas na hora H não tem penetração. O que eu faço?”
Marina, sua história me surpreendeu. Seu namorado é o primeiro que eu ouço falar que não quer saber de “penetrar” (eita palavrinha feia, né?).
Mas antes de penetrar na questão em si, preciso dizer que não era para eu responder sua mensagem. Seguinte, aqui eu comento sobre mulheres que possuem um problema no seu relacionamento amoroso e já tentaram resolvê-lo, no mínimo, conversando com o namorado. Se não conversaram, elas estão dispostas a conversar em breve e apenas confusas quanto ao tom que devem dar para o papo. Já se você tem vergonha de abrir o jogo com o seu namorado, então o seu problema nunca será resolvido. Você será impenetrada para sempre – enquanto estiver com ele, claro.
Marina, acorda, para você ser feliz na sua relação é imprescindível ser capaz de conversar sobre qualquer problema com o seu namorado. E este é um problemão, Marina! Não dá para deixar pra lá, fingir que não existe. Até vou pensar aqui sobre as possíveis causas deste comportamento tão fora do padrão. Mas você tem que ter coragem para falar com ele sobre isso.
* Ele supostamente ser virgem, Marina, não seria motivo para não querer penetrar. Ao contrário, se fosse só isso ele estaria é ansioso para acontecer logo. Em todo caso, uma sugestão de filme para o seu namorado - ”O virgem de 40 anos”. Muito divertido! Esta é a cena pós-penetração:
Muito maluca a sua ideia para resolver o problema: mentir. De repente, assim do nada, você inventa que não é virgem e que está com “saudade” de penetração. Como assim, mulher? Falar a verdade você não consegue, mas mentir, sim? Isso seria uma atitude totalmente infantil, como você já supôs. Você tem que falar e justificar com o seu desejo, que é verdadeiro e legitimo.
Também achei muito sem noção você achar que o problema é com você. Por que isso seria culpa sua? Se você está toda a fim e vocês tem ambiente tranquilo para isso – não aconteceu ainda por que (por algum motivo) ele não quis. Tenho vontade de sacudir mulher que em toda e qualquer situação vem logo com um “será que o problema é comigo?”. O cara bate – “será que a culpa é minha por tê-lo deixado nervoso?” Ele trai – “será que a culpa é minha por não ter sido disponível e gostosa o suficiente na cama?” Poxa, não, a culpa não é sua!
Olha, fiquei bem curiosa com esse “tudo” que vocês fazem na cama. E também com este desejo que ele sente por você “a toda hora”. O que seria este “sempre me procura”, heim? Procura para ver televisão comendo uma pipoquinha e tomando refrigerante? Ele fica excitado (com o pinto duro), é isso? Ele goza? Vocês se masturbam, fazem sexo oral, ficam nus na presença um do outro? Não queria entrar nestes detalhes, mas vai que esse “tudo” e esse “sempre” são quase nada e você não sabe…
*Este post me lembrou o professor Astromar, da navela Roque Santeiro “- Posso penetrar?”
Agora vamos às suposições de porque ele ainda não fez sexo (com penetração!) com você. Lembrando mais uma vez que eu não sou psicóloga e nem sexóloga. Vou apenas supor como uma amiga sua poderia fazer, nada mais. Vamos lá:
1) Ele sente dor – Seu namorado pode ter algum problema físico no pênis, uma fimose por exemplo. Dai quando transa ele pode sentir uma dor intensa, por isso evita. Se for este o caso, por favor, não tenha dózinha dele, heim? Manda o rapaz procurar um médico!
2) Ele tem ejaculação precoce – Pode ser que ele quer penetrar, mas antes que isso aconteça, ele já gozou. Durante o “tudo” que vocês fazem observe se pode ser isso o probleminha dele. Se for, tem tratamento e você tem todo o direito de exigir que ele busque ajuda profissional.
3) Ele tem dificuldade de ereção – O pinto dele nem chega a ficar duro, ou fica mais ou menos ou fica por pouco tempo. Se ele tiver algum problema de ereção isso seria uma justificativa plausível para evitar tentar a penetração. Mas este tipo de problema é bem raro em homens jovens (na situação de transa tranquilinha, com uma namorada firme e de muito tempo então, mais raro ainda).
4) Ele é gay – Marina, vai que o seu namorado não sente desejo de verdade por você – e por qualquer mulher (incluindo as ex-namoradas). Alguns gays até conseguem transar e “dar uns pegas” ocasionalmente com mulheres, mas frequentemente fica bem mais complicado. O seu namorado pode não penetrar em você por não sentir nenhuma vontade de fazer isso com uma mulher.
5) Ele é religioso (e a religião dele não permite isso) – Algumas pessoas, por motivos religiosos, não transam antes do casamento. Ops, não transam virgula, a maioria faz de tudo, mas evita a penetração, pois considera que segundo o código da lei de Deus só colocar o bibibi no bobobó é que é proibido.
6) Ele acha que você não quer – Por fim tem uma opção bem menos dramática. Seu namorado pode jurar que você não quer saber de penetração, que morre de medo, que não se sente preparada, que vai julgá-lo mal se tentar tal ousadia. Mas isso, querida Marina, você só vai saber se falar com ele.
Amigas deste blog, conseguem pensar em mais algum motivo para o namorado de Marina não querer transar (com penetração) com ela?
E o que Marina pode fazer para acontecer o que tanto quer?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
p.s. Na GLOSS de março tem uma super matéria sobre “sexo ruim” e como resolver diversos probleminhas e problemões na cama. Compra uma edição nas bancas, Marina! Se quiser receber a revista em casa, asssine a GLOSS.
“Amo muito meu namorado mas não consigo parar de brigar com ele. Tenho 20 anos e estamos juntos há dois anos e meio. Eu já tentei de tudo, mas não deu certo. A gente sempre briga por coisa boba, ciúmes, coisas que eu não gosto, coisas que ele não gosta etc. Então uma vez a gente brigou muuuuuito feio, quase terminamos. Quando a gente conversou e se entendeu eu pensei que íamos parar de brigar a partir daí, mas isso não aconteceu. A gente briga todo dia! Me ajuda, eu só quero parar de brigar com ele…”
A pergunta é: como faz para brigar menos com o namorado? Simplesmente não briga, uai. Como diz o ditado “quando um não quer, dois não brigam”. E é isso mesmo, se você estiver decidida a não brigar mais por bobagem, vocês não vão brigar, mesmo que ele te provoque, mesmo que ele queira brigar.
Acho importante pensar sobre o que mais causa estas brigas. É ciúme? Mas porque este ciúme tão exagerado? É mais por besteira mesmo? Se for assim, então brigar pode ter virado um esporte, uma distração do casal, por mais que também chateie e baixe o astral entre os dois.
Uma vez entrevistei uma psicóloga (para uma matéria da GLOSS, não me lembro qual) que me disse que alguns casais brigam muito por terem uma relação vazia. É que eles têm pouco assunto em comum, pouco o que conversar numa boa, trocar, compartilhar, rir junto. Daí na falta de conteúdo para preencher este namoro o que eles fazem? Brigam! Discutem por qualquer coisa para de uma forma torta se sentirem mais próximos. Os assuntos passam a ser as brigas e reconciliações.
Não sei se é este o caso de vocês, Luana. Pode não ser. Mas eu tendo a concordar com a psicóloga, sobre os casais muito briguentos (sem motivo) não terem muitas coisas boas para dividir então partilham chatice após chatice. Fica um chateando o outro e assim vai. Credo! Hora de parar com isso, né?
Para não brigar, aprenda a pensar antes de revidar, Luana. Ele falou algo que não gostou? Guarda. Por um minutinho só que seja. Pensa sobre aquilo. Enquanto espera, respire profundamente – a respiração diafragmática oxigena o cérebro e ajuda a acalmar. Em alguns casos eu acho que o ideal é esperar 24 horas para comentar sobre algo mais grave de que não gostou.
Quando a gente diz tudo o que sente de cabeça quente acaba falando o que não queria, magoando e criando um ciclo de ofensas. Corta isso! Se ele te irritar, não parta pra briga, se acalme e converse com ele com serenidade explicando a sua posição. A vantagem é que é muito mais fácil ele te levar a sério assim do que no meio de um bate-boca. E vice versa.
Se você mudar ele vai acabar mudando também. Vai ficar envergonhado de dar chilique com a namorada que enfim aprendeu a conversar civilizadamente. Em geral as pessoas nos tratam de acordo com o modo como as tratamos. Luana, se você estiver realmente disposta a mudar eu acho que ele pode acabar mudando também – como base no seu exemplo.
Não vejo muito sentido num relacionamento cheio de brigas. Também não acho que elas devem ser desesperadoramente evitadas. Às vezes um casal precisa sim discutir um assunto, às vezes é inevitável se desentenderem, pois possuem alguma divergência relevante. Ai vale a pena conversar muito e é compreensível que se exaltem (ninguém é de ferro).
Mas briguinha boba eu não entendo porquê. Ah, conheço mulheres que gostam, dizem que o sexo fica melhor depois de uma briga. Se elas falam, não duvido. Mas eu penso diferente, para mim briga deprime os sentidos, torna tudo pior, ainda mais essas briguinhas gratuitas, vixi, não são nada inspiradoras.
Olha, quando um casal briga todo dia eu acho que deve sim considerar se não é hora de ir cada um pra um lado. Este é até um dos sintomas de que um relacionamento degringolou. (Luana, dá uma olhada na minha matéria sobre término de namoro na GLOSS de fevereiro, a que está agora nas bancas) .
Sério mesmo, qual o sentido de namorar nesta situação? Não dá pra continuar assim, Luana! Ou você se propõe de verdade a cortar este ciclo – e pra isso terá que buscar em você muita paciência, maturidade e força de vontade. Ou termina. Não vale a pena ter um parceiro de brigas diárias no lugar de um namorado.
Queridas, o que Luana pode fazer para brigar menos com o namorado?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
p.s. Vou abrir um parêntese. A Luana, que me mandou a mensagem acima, escreveu também um p.s. avisando que é deficiente auditiva. Imagino que ela fez isso para que eu soubesse que ela estava escrevendo em sua segunda língua, o Português, e não em Libras, por isso inverteu algumas frases e cometeu naturalmente pequenos erros gramaticais (que eu corrigi antes de publicar). Mas mesmo assim fiquei viajando numa idéia errada – se os surdos teriam uma dificuldade maior de comunicação por não terem um recurso parecido com o tom de voz. Para os ouvintes, o que se diz e se ouve importa bem menos que o tom com que aquela frase é dita, não é mesmo? Sem usar este recurso, a comunicação deles seria como uma conversa de MSN, mais sujeita a falhas de interpretação? Nada disso. Para entender, falei com minha amiga Regiane, que é interprete de Libras, e ela me explicou que não faz diferença nenhuma. Disse que a velocidade e a força que o surdo usa ao fazer cada sinal mostra claramente que ele está nervoso. Portanto, é tudo igual, mesmo sendo diferente. A Luana briga muito com o namorado por outros motivos, não tem nada a ver com a baixa audição. Aliás, a questão que ela coloca já apareceu em muitos outros e-mails que recebo: o excesso de brigas por motivos bobos. Este p.s. foi só para compartilhar este conhecimento com vocês. Fecha parêntese.
“Tenho 21 anos e namoro desde os 18 com um cara da mesma idade. Amo meu namorado, mas estou passando por uma fase super difícil. Faço tratamento para depressão desde o início do ano passado. Ficamos um tempo separados e depois acabamos voltando. Só que desde lá eu acabei surtada, morrendo de ciúmes e brigando por qualquer coisa, e ele, sendo estúpido e dizendo coisas horríveis. Não vou dizer que é assim o tempo inteiro, mas dói, e eu não sei o que fazer… Estou me sentindo desvalorizada, a última das criaturas. Já cheguei a pesar 37 quilos! Não sei o que fazer pra que ele me dê um pouquinho mais de valor, sabe? Sinto que ele só está vivendo a vida particular dele e que eu deveria fazer o mesmo. Ai, não sei mesmo o que fazer! Só sei que estou num buraco sem fim…”

Ana, não pense no que fazer para ele te valorizar; pense no que você pode fazer para valorizar mais a si mesma
Ana, sinceramente, as pessoas depremidas são chatas! Bom, e a depressão, como você sabe, é uma doença grave e que nos acomete contra a nossa vontade. A pessoa deprimida fica sem ânimo para fazer qualquer coisa, inclusive as que antes ela gostava. Não vê graça em nada, fica sem esperanças, sem entusiasmo, sem capacidade para enfrentar os menores problemas cotidianos.
Tem pessoas que perdem a fome e o sono outras dormem ou comem sem parar. Alguns deprimidos choram muito – e isso sem saber porque estão chorando, simplesmente choram porque sentem um peso, uma coisa ruim, um medo incontrolável ou um vazio infinito. Outros não choram nada, mas ficam constantemente irritados e ranzinzas, é como se uma nuvem negra, cheia de raios, pairasse sob suas cabeças.
Depressão é coisa séria e precisa de tratamento medico. Claro, é maravilhoso quando – além do tratamento – as pessoas a nossa volta conseguem nos apoiar num momento tão difícil como este. Mas a realidade, querida Ana, é que nem todo mundo dá conta. Porque quando estamos deprimidos nos tornamos chatíssimos e muito complicados de lidar.
Acho que está totalmente certa em esperar mais do seu namorado. Só estou tentando te dizer que nem todo mundo consegue lidar bem com isso. A chatice do deprimido é sintoma de um sofrimento interno terrível – e é insuportável para a maioria das pessoas lidar com a dor de quem se ama.
Os homens – muuuuuuito mais do que as mulheres – não são preparados para lidar com o sofrimento. Eles não foram criados aprendendo a cuidar, como nós, que desde crianças recebemos bonecas para embalar e dar papinha… Espero sinceramente que a nossa geração saiba, por exemplo, criar meninos que não precisem engolir o choro quando estão tristes… enfim, este debate é longo.
Ana, vamos lá, não conheço o seu namorado. Ele pode até ser um cara insensível, nada companheiro, enfim, um ser para se deletar da vida – por mais que você o ame e seja dependente emocionalmente dele. Mas pode ser que não. Ele pode gostar muito de você e até querer te ajudar. Só que ele não consegue, não sabe exatamente o que deve fazer para que você melhore e se cure deste mal.
Tem muita gente que pensa que dar uma certa ignorada na pessoa deprimida é algo bom pra que ela reaja, que se ficar dando colo a pessoa vai se tornar mais mole ainda. Claro que as coisas não são assim. Mas estes absurdos correm por aí como se fossem santos-remédios.
Ana, acho que primeiro você tem que reconhecer que é difícil suportar a sua depressão. Em segundo, deve tentar sair dessa sem a ajuda desse namorado – que já se mostrou pouco apto a te apoiar. Não tô falando para terminar, heim! O caso é que você precisa buscar forças em outros lugares.
O mais importante é tomar corretamente os medicamentos indicados pelo psiquiatra, não faltar à terapia, fazer uma atividade física bem prazerosa (vai dançar ou nadar, por exemplo), tentar dormir e comer adequadamente (se esforce, por mais difícil que pareça) e se reaproximar dos amigos. Se você conseguir seguir estas recomendações terá altíssima chance de se curar logo. Também aproveite para se dedicar ao trabalho/estudo – mas não o use como escape.
Quanto ao namorado que não sabe ou não quer te ajudar – estou lidando com a possibilidade do “não sabe” – você terá que ensiná-lo. Isso mesmo. Não fique esperando que ele adivinhe seus sentimentos. Fale quando faz questão que ele vá a sua casa, quando quer que ele fique abraçadinho com você, quando quer apenas desabafar etc. E não alimente a alta expectativa de que ele pare a vida dele para cuidar de você.
Explique para ele que está doente, que a presença dele te faz bem mas que ele não tem nada a ver com sua depressão. É algo que surge a partir de uma alteração química no cérebro e que dói muito na alma por um tempo mas que passa e a pessoa volta a ser o que era. Olha, ele pode interpretar que cada vez que você esta triste, chorona ou desanimada aquilo é culpa dele, ele pode estar completamente perdido, já pensou sobre isto?
Ana, cuide de você! Cuide de você mesma com muito carinho. Perdoe o seu namorado por ser uma pessoa imatura ou fraca de espírito e incapaz de compreender o seu momento. Quando estiver bem, avalie se vale a pena continuarem ou se você fica melhor sem ele.
Caso perceba que ele está decidido a te deixar e não faz isso só por causa de sua depressão, facilite as coisas para ele e se livre de uma relação artificial. Certamente ficará muito abatida com o término, mas quando se recuperar, será de forma total e não com uma grande pendência emocional para ser resolvida.
Mas se perceber que ele ainda te ama e está interessado no relacionamento de vocês ajude-o a te ajudar. Mostre o que ele pode fazer por você. E faça, você mesma, tudo o que puder para a sua própria recuperação.
Um abração bem forte, Ana!
Amigas deste blog, cadê vocês? Ajudem Ana a pensar num caminho! O que ela pode fazer para melhorar desta depressão? E quanto ao namorado, como torná-lo mais próximo neste momento?
Sílvia Amélia
@silviamelia
“Tenho 22 anos e namorei uma única vez na minha vida, eu tinha 18 e meu ex-namorado 21. Ficamos um ano bem felizes (sem transar ou algo do tipo) até que ele entrou na faculdade. Ai ele começou a ir muito para baladas e a me dar uns perdidos… Terminei por causa do seu comportamento infantil. Ficamos mais algumas vezes até que ele sumiu do mapa. Fiquei triste, quis reatar, só que perdemos o contato. Depois de um ano descobri que ele estava namorando um menino. Para mim foi um baque enorme! Fiquei quase um mês chorando e sem comer. Passei três anos me perguntando onde foi que eu errei.
Até que nos encontramos, conversamos e descobri que já não sentia a mesma coisa. A questão é que mesmo depois disso ele ainda ficou no meu pé (não sei se para se desculpar, ou porque ele via um porto seguro em mim…). Não quero mais saber dele, embora não tenha mais rancor, eu quero levar minha vidinha sossegada sem outras “fortes emoções”. Depois disso, não consigo me relacionar com ninguém porque não confio mais nas pessoas. Todo mundo fala que eu sou nova, bonita, tenho quem eu quiser a hora que eu quiser, mas estou tão insegura, os homens não querem nada a sério…”

Ricky Martin e Rebecca de Alba namoraram por 5 anos. Quando ele lhe contou que era gay (tempos após a separação e antes de falar sobre isso publicamente) ela também ficou triste, triste, triste até compreender tudo e superar
Lilian, desculpe lhe contrariar, mas informo que você ainda vai viver outras “fortes emoções” pela vida. Tomara, né? Moça, desejo a você a chance de sentir – pelos mais variados motivos – o seu coração disparar. De novo e de novo e de novo. Pode ser de susto, de alegria, paixão, euforia, ansiedade, perplexidade. O importante, diria o nosso Rei, são as emoções vividas. Portanto, não cometa o sacrilégio de pedir uma vida sem “fortes emoções” para o Papai Noel. No fundo, não é isso o que você mesma quer.
Pois é, vamos lá… seu ex é gay. Vocês tiveram um relacionamento super feliz mas “sem sexo ou algo do tipo”. Ok, Lilian, guarde esta informação: em geral num namoro acontece sexo ou algo do tipo. Os meninos heteros sempre querem sexo ou algo do tipo (a não ser que tenha um fator religioso aí, o que é outra história). Isso já era de certa forma um sinal…
Bom, é muito importante a senhorita saber que não tem nada a ver com ele ser gay. Você não tem “culpa” nisso. Ele é gay porque ele é gay e ponto final. O namoro de vocês poderia ter transcorrido de mil outras formas diferentes (inclusive com sexo) e ele continuaria sendo gay. Se quer algo para remoer pense “oh, porque eu não vi isto antes” e não “por que ele virou gay”. Ele não virou, ele já era gay, independente de você.
E o fato de você não ter percebido é totalmente natural para sua idade. Mas daqui para frente é esperado que você, como toda mulher, desenvolva o seu gaydar (o radar mental para identificar se um cara é gay ou não).
* O importante é…
Provavelmente ele tem muito carinho por você. Mas “desapareceu” porque sabia que a informação de que ele gosta de meninos ia te deixar baixo astral, como de fato deixou. A partir do momento em que você soube a verdade ele tentou retomar o contato.
Se você considera que não está preparada para isso, não tem mesmo que se forçar. Fale com ele que precisa de mais um tempo longe, que ainda está digerindo tudo o que aconteceu. Quando (e se) se sentir preparada, retome a amizade – existe uma chance grande de você ter futuramente uma relação maravilhosa (como amigos, claro) com ele.
Entendo que você considere “ah ele me enganou” – de certa forma sim. Mas pense como isso era difícil para ele. Na época em que vocês namoravam pode ser que ele de fato queria muito que desse certo, poderia também estar bastante confuso sobre seus próprios sentimentos e desejos. Ao entrar na faculdade ele viveu novas experiências e finalmente teve certeza do que realmente gostava.
*Este filme vale realmente a pena…
Um dia, Lilian, você vai olhar para esta história (do ex gay) com humor e tranquilidade. Tente também deixar de lado clichês do tipo “os homens não querem nada sério”. Olha, realmente não é comum um homem sair num sábado à noite em busca de uma namorada-mulher-pra-vida-toda-um-amor-companheiro- verdadeiro-e-eterno. Eles em geral preferem conhecer primeiro, ficar, conviver, sair e só depois decidir se querem ou não algo mais com aquela determinada pessoa.
Só que tem mulher que espera encontrar um cara com um selo de qualidade “apto a relacionamento sério” pregado no peito – para ela conferir e ter certeza da segurança daquela relação antes do primeiro beijo. Isso não existe.
Ah, seus amigos que dizem que você pode ter “o homem que quiser a hora que quiser” estão errados, viu. Não, você não pode. Mesmo sendo a mulher mais linda do mundo – a mais interessante e divertida e sensual e inteligente. Você nunca vai poder ter quem quiser a hora que quiser. Isso porque cada pessoa tem um gosto diferente. Tem homem que gosta de mulher bem resolvida, tem homem que só se relaciona com as super carentes, tem homem que gosta de magrinha, outros de gordinha, outros de ruiva, de mulata ou japonesa. E tem homem que gosta de namorar mulher, e tem homem que gosta de namorar homem. (claro, cada “preferência” tem um grau de complexidade beeem diferente)
E o mais confuso de tudo é que às vezes a gente gosta de algo e de repente deixa de gostar e passa a amar o que nem reparava. Lilian, talvez você supere esta insegurança toda quando aceitar que as pessoas mudam, que a vida é mesmo cheia de surpresas e incertezas. E está justamente ai a graça de tudo, não acha?
Queridas, alguém mais tem um ex que “virou” gay? Como lidou com isso? E hoje são amigos, inimigos ou nem uma coisa e nem outra? Como Lilian pode superar esta história e voltar a confiar nas pessoas, nos relacionamentos, no amor e nela mesma?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
Queridas amigas do blog Amor etc., venho explicar meu sumiço. Estou de férias durante todo o mês de janeiro. Aêeee!!! Férias é bão demais, mas tô morrendo de saudad´dôceis (espia só, um tempo a mais em Minas faz aflorar meu sotaque, hehe).
Por causa das férias o meu e-mail profissional acabou sendo bloqueado (a senha de acesso expirou) e eu fiquei por um tempo impossibilitada de ler as histórias que recebo por e-mail para serem respondidas aqui (os comentários eu continuei lendo normalmente, viu).
Acho que a pifada no meu e-mail foi providencial – sei que não iria resistir a continuar trabalhando nas férias, pois adoro esta tarefa de comentar sobre encrencas de relacionamentos do ponto de vista de amiga (e não de psicóloga, o que não sou).
Hoje finalmente voltei a entrar no meu e-mail do blog do Amor (amor-etc.gloss@abril.com.br ). Nossa, cada história interessante! Já estou matutando aqui sobre futuros posts. A partir da semana que vem minhas férias acabam e o blog volta a ser atualizado freqüentemente.
Aproveito este texto para agradecer a participação de todas as leitoras que comentam no Amor etc. Considero que compartilhar uma história pessoal (e seus aprendizados) uma forma de generosidade. Fico emocionada com o carinho de muitas que vêm aqui para me ajudar a “dar uma luz” para mulheres que – pelos mais diversos motivos – se sentem perdidas em sua situação atual.
Este é um espaço para nos apoiarmos umas as outras na reflexão sobre possíveis soluções para problemas afetivos e de relacionamento. Ou melhor: tratamos de caminhos para a construção de relações amorosas mais cheias de respeito e alegria.
Beijo e volto já
Sílvia Amélia
@silviamelia
“Namoro há dois anos, ambos fazemos faculdade separadamente. Ele tem um trabalho fixo, e eu faço estágios e bicos. Sou CDF, não que eu ame estudar, mas eu vou bem no meu curso. E ele pega DPs, falta em aulas, desiste de fazer trabalhos porque está cansado ou mal humorado e para mim isso é simplesmente impossível. Acho que mesmo que o mundo esteja explodindo eu tenho que cumprir meus compromissos (sou bolsista e posso perder minha bolsa se não ir bem, enquanto ele está numa federal e o máximo que pode acontecer é ficar mais tempo estudando).
Ele faz tudo errado o semestre inteiro, ai quando as coisas dão errado no final, ele fica triste e quer desistir até daquilo que deu certo. Eu meio que brigo com ele, não chamo atenção, mas demonstro que não gosto das coisas como ele faz e ele que já estava mal, fica pior… Acho que eu sou meio controladora! Porque eu acredito que as coisas são boas e certas de um jeito, ai eu exijo isso dele, e para completar ele é um tanto preguiçoso e irresponsável… Resolvi escrever para você porque o que eu ando fazendo não tem dado muito certo, mas não sei o que fazer além do que faço. Gosto muito dele e não é por isso que não ficaríamos juntos. Eu me preocupo com ele. Devo cobrá-lo menos?”
Seguinte, Bruna, infelizmente você não pode fazer (quase) nada. A forma como o seu namorado lida com a faculdade é um problema dele. Se ele quer matar aula para dormir, se ele decide não fazer uma prova porque não está a fim, é tudo um problema dele e só dele. Não dê palpite, não cobre, não emburre por causa disso. Se ele tomou pau em várias disciplinas, é uma pena, mas não tem nada a ver com você. Não queira consertar a vida do ser amado. Ele já está cansado de saber a sua opinião e até hoje não quis segui-la.
Só acho que você deve observar se essa forma dele se comportar com relação aos estudos é algo que demonstra um traço forte de personalidade. Ele é uma pessoa descompromissada com tudo, que não consegue cumprir o que promete, que não sabe se dedicar a nada com responsabilidade? Ele é assim também no trabalho dele? Se sim, e se você pensa em se casar com ele, aí sim essa desorganização dele passa a ser um problema seu. Phoda tentar comprar um apartamento ou criar filhos com alguém totalmente caótico assim, né?
Já entrevistei uma menina para a matéria “sou mãe do meu namorado” que disse que o namorado dela só tomou jeito depois que ela falou que estava insegura de se casar com ele. Ele perdia disciplina na faculdade, perdia estágio (por não ter freqüência na faculdade) e se enrolava todo… Ela deu um ultimato: só continuaria os planos de casamento caso ele passasse a levar o curso e o trabalho a sério. E ele mudou (antes, mudou de curso, pois descobriu que parte da sua “malandragem” era desgosto com a área que tinha escolhido).
Bom, casais que dividem o sustento de uma casa e de uma família eu acho que podem cobrar um do outro mais compromisso profissional – já que o comportamento muito relapso de um atinge o outro diretamente. Não é este o seu caso. Então segure a controladora que existe em você. Entendo perfeitamente a gastura que sente desse jeito dele de lidar com as obrigações. Mas você não pode mudá-lo. Ele só vai mudar quando ele sentir realmente necessidade de mudar.
Bruna, se você continuar se chateando com isso de alguma forma você estará se colocando num papel de mãe dele. Quando ele faz uma coisa errada ele é “punido” por sua cara de brava – e logo se sente aliviado e pronto para repetir o erro. Corta esse ciclo, mulher! Quero ver como ele vai reagir quando vier choramingar que perdeu uma matéria na faculdade e você disser “que pena” e mudar de assunto – simplesmente fingir que não se importa tanto assim, que isso é tão comum que você se acostumou.

Bruna, você está certissima em ser dedicada aos estudos! Só não é legal querer que ele seja IGUAL a você...
Depois deste fim de semestre você pode ter uma conversa com ele sobre isso. A última, heim? Diga que você gosta de mil coisas nele – enumere suas qualidades – diga que o ama muito mas… a sua admiração por ele diminui um pouquinho quando vê a falta de compromisso dele com os estudos. Diga que acha isso um “desperdício de talento e de inteligência”! E garanta que não quer mais bancar a chata, se irritar cada vez que ele mata aula, afinal ele é livre para fazer o que quiser. (E matar uma aulinha, Bruna, não é mesmo o fim do mundo, o problema é tomar pau por freqüência. O problema d-e-l-e, claro). Pode ser que isso mexa com os brios do rapaz e lhe dê força para mudar.
Outra coisa que você pode fazer é liberá-lo da namoração por um tempo toda semana. Se vocês passam o sábado juntos, acordam juntos e vão dormir juntos, combine que a tarde será passada em separado. Estabeleça que todo sábado (ou domingo) a tarde você vai para sua casa ou vai sair para fazer qualquer coisa que não seja com ele. Este tempo ficará reservado para ele ler, fazer trabalhos, estudar para provas. Mesmo que ele diga que não quer estudar, não fique com ele neste horário dos estudos – isso durante todo o semestre. Fale “acho que deveria aproveitar este momento para estudar, mas faça o que quiser, no sábado a tarde a gente não se vê” ou “não acho justo ficar com você agora já que precisa deste tempo para fazer suas coisas”. Então a noite (depois do horário de estudos) vocês se encontram para namorar … e namoram (nada de checar se ele estudou ou não).
É só isso que eu acho que você pode fazer para ajudá-lo: dizer (uma única vez!) o quanto este comportamento afeta sua opinião geral sobre ele e dar tempo (toda semana!) para ele estudar. Fazer cara de desgosto – você já sabe – não funciona.
Amigas, o que mais Bruna pode fazer para o namorado ser menos enrolado na faculdade? Aliás, ela deve ou não esquentar a cabeça com isso?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
Publicado em: 10/12/2011 às 20:24 | Por: Silvia Amélia
“Tenho 20 anos e estava muito insatisfeita com o fato de ainda ser virgem, parece que falta alguma coisa, que estou atrasada na minha vida sexual. Então eu decidi que queria perder a minha virgindade esse ano. Decidi que iria ter uma amizade colorida assim eu teria certeza que as coisas poderiam ir mais devagar, e daria tudo certo. Porque não arrumar um namorado? Eu não quero um namorado agora, não acho que esteja pronta para algo tão sério, e também não queria me arriscar com um estranho. Amizade colorida me parecia ser a melhor opção. Então fiz a proposta a um amigo meu e ele disse que sim. Eu escolhi ele por ser um dos meus melhores amigos… Ele tinha acabado de sair de um relacionamento sério (com uma amiga minha) … Muito complicado tudo isso, eu sei. Mas no final das contas nós decidimos tentar a amizade colorida…
Nosso acordo era claro: não importava o que acontecesse sempre seriamos amigos. Então marcamos e ele veio para minha casa, estávamos nervosos, mas depois que começamos a nos beijar as coisas fluíram… mas na hora de transar ele não conseguia. Tentamos outro dia e ele também não conseguiu. Ele disse que precisava me ver menos como amiga e que ia me levar para sair. No dia seguinte, mandei mensagem perguntando que horas a gente ia e ele disse que estava cansado… Pelo Facebook ele falou que não queria mais fazer isso, que sempre que ele brochava, ficava triste e não queria mais ficar assim. Fiquei muito triste, acho que eu merecia uma dispensa cara-a-cara. Ele disse que iríamos conversar sobre tudo que aconteceu, mas já faz dois meses e as coisas entre a gente mudaram. Queria muito ter o meu amigo de volta.”

Mesmo entre amigos é preciso um climinha para rolar sexo... Se não, Júlia sabe bem, tudo acaba em climão!
Júlia, você conseguiu juntar numa mesma situação vários elementos da “paumolecência” : pressão (você é amiga dele, então teria que ser “especial”), era a sua primeira vez (então teria que ser “especial”), artificialidade (vocês não se paqueravam, eram somente amigos), término recente (ele estava bem condicionado a transar com outra) e culpa (você é amiga da ex dele!). Só faltou você dizer que ele estava bem bêbado no dia para reunir todos os elementos de uma “bomba de efeito moral”. O natural numa situação dessas é mais ele ter dificuldades (ou impossibilidade total) do que tudo fluir lindamente. Definitivamente não eram circunstâncias inspiradoras….
Moça, por que esta urgência em perder a virgindade, heim? Se for só para poder dizer que a perdeu, para não se sentir diferente das amigas – acho uma grande bobagem. Agora se for porque você sente um desejo irresistível de experimentar o sexo, vá lá, dá para entender a pressa.
Não acho que a primeira vez é algo tão especial e fabuloso assim, mas também não é irrelevante. Chamaria de “lembrável” (pois se falarem no assunto no futuro, você sempre vai se lembrar – mesmo que vagamente – deste dia) e não necessariamente “inesquecível”. Esta palavra dá um peso de ser um momento maravilhoso – nem sempre é.
Mas, por outro lado, Julia, transar (ainda mais quando não se tem experiência) também não é algo simples como dividir um sanduíche com um amigo. Do tipo que você, do nada, diz “topa?” e se ele responde “sim” vamos que vamos e é tudo uma delícia. É um pouquinho mais complexo que isso, viu?
Achei muito engraçada a sua racionalidade. Você calculou que com um desconhecido seria perigoso e com um namorado não era hora, noves fora zero, o resultado foi: amizade colorida! Então o próximo passo era escolher um amigo, você avaliou e viu que tinha que ser com aquele mais legal, mais próximo. Parceiro escolhido, pode ticar este item da lista. Em seguida faltava marcar a data e o local e isso você providenciou rapidamente. Óbvio, não deu certo.
E tentaram novamente e não deu certo de novo. Aí ele falou que ia te chamar para sair e no dia seguinte você já estava cobrando. Assim como cobrou um fora cara-a-cara… Muita cobrança para uma amizade-colorida, não?
Não funcionou, Julia, porque faltou algo essencial para o sexo acontecer (entre amigos, casados, namorados, amantes, pessoas que acabaram de se conhecer etc) – seduuuução. As pessoas vão para a cama quando estão seduzidas. Pode ser uma sedução cheia de amor ou sedução instantânea antes de sexo casual. Mas tem que ter uma troca de olhares, uma conversinha mais insinuante, um carinho espontâneo e “quente” para que duas pessoas que nunca transaram (mesmo que sejam as mais experientes do mundo) sentirem vontade de transar uma com a outra. Mesmo amigos que transam (a tal amizade colorida) se paqueram de certa forma, existe alguma sedução entre eles, a coisa nunca pode ser assim tão “à seco” , tão artificial.

- Estou atrasada, estou atrasada, preciso perder a virgindade ainda este ano e estamos em dezembro, estou atrasada (como o coelho de Alice, Júlia não consegue deixar a vida fluir e espera forçar os acontecimentos, tsc...tsc...)
É impressionante a sua ilusão de que poderia controlar tudo. Vocês combinaram que “acontecesse o que fosse, continuariam amigos”. Ha ha ha ha Só rindo mesmo. Você acha que a vida é fácil assim, né? A gente decide não se apaixonar e pronto, não se apaixona. Ou decide que vai transar com o amigo e a amizade vai continuar a mesma coisa e ela continua idêntica, certo? Não mesmo!
Julia, querida, transar com amigo sempre muda a amizade – podem se tornar amigos mais próximos; passarem a namorar; um se apaixonar e o outro não; ou ninguém se apegar mas ficarem sem graça porque o momento não foi tão bom assim. Muito ou pouco, a relação vai mudar, isso com toda certeza. E daqui pra frente aceite que ninguém nunca é capaz de determinar o que vai sentir no futuro.
Bom, o problema que você coloca é como retomar a amizade. Olha, depende do que ele está pensando – se está com vergonha de você, ou arrependido por ter topado sua proposta ou com raiva por você ter tido esta idéia maluca. A questão séria é que ele pode ter associado a sua cara com “paumolecência”, como diria minha prima Maria Isabel . Ele pensa em você e automaticamente diz para si mesmo “eu sou um brocha”. Então a sua presença o deixa triste – e isso é o oposto de uma amizade.
Julia, não adianta nada você tentar forçar a barra. Acho que deve mandar um e-mail para ele falando que sente saudade de conversarem. Por favor, não o faça ficar deprê relembrando o que fez vocês se afastarem – ele já sabe disso. O melhor seria que este e-mail não fosse totalmente gratuito. Mande quando você tiver algo para contar para ele – por exemplo, que vai mudar de estágio/emprego. Diga que gostaria de dividir com ele esta (ou qualquer outra alegria/tristeza). Assim o e-mail terá o tom certo de “quero sua amizade” e não de “quero tentar mais uma vez perder a virgindade com você”. Faça contato sempre que tiver realmente o que dizer e aguarde (sem cobrar!) as resposta dele. Jamais suplique para tudo voltar a ser como antes, este tipo de coisa não se pede.
É provável que ele tenha se afastado por medo de vocês acabarem tentando mais uma vez – e falhando mais uma vez. Não diga que não quer mais transar com ele. Simplesmente não toque no assunto. Deixe para conversarem sobre isso quando a amizade já tiver voltado totalmente e vocês conseguirem dar muita risada deste episódio infeliz.
Queridas, quais caminhos vocês propõem para Julia reconquistar a amizade do amigo descolorido?
Beijos
Sílvia Amélia
@silviamelia
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